O uivo incansável do vento gélido batia contra as pesadas vidraças de Obsidiana, uma sinfonia melancólica e familiar que há muito havia deixado de me assustar para se tornar apenas o som de fundo da minha clausura dourada. O meu quarto, isolado na ala leste, era um refúgio forjado em pedra bruta e tapeçarias espessas que tentavam, em vão, reter o calor que a montanha insistia em roubar. Encolhida na imensa poltrona estofada de veludo escuro, eu segurava uma xícara de porcelana com as duas mãos,