GISELE NARRANDO:
Eu não conseguia parar de comer. Meu estômago parecia um buraco sem fundo, como se eu não tivesse me alimentado por dias. A cada mordida, a vergonha de estar nessa situação me consumia mais um pouco. A boca seca me fez tomar mais suco, tentando disfarçar o constrangimento. Rodrigo estava à minha frente, comendo tortilhas calmamente, como se nada estivesse fora do normal.
— Você não se lembra de nada mesmo de ontem? — ele perguntou, com a voz casual, mas o olhar fixo em mim.
Pa