GISELE NARRANDO:
A presença de Rodrigo no meu pequeno apartamento me deixava completamente desconfortável. Era impossível não notar como ele observava cada detalhe, analisando tudo, como se estivesse tentando encaixar as peças de um quebra-cabeça invisível. O olhar dele parecia querer atravessar minha fachada, mas o que mais me incomodava era a pergunta constante na minha cabeça: o que ele está pensando?
Eu não tinha nada a esconder, nada a mentir. Rodrigo não era alguém de quem eu precisasse para sobreviver ou para criar meu filho. Era como um estranho curioso demais no meu espaço, mas fui o mais sincera que consegui.
Guardei o lenço novamente na caixinha de recordações. Ele não sabia, mas me sentia uma completa idiota por ainda ter sentimentos por aquele pedaço de tecido que, de alguma forma, ainda representava algo para mim. Suspirei, desviando o olhar. Comecei a contar mais alguns detalhes sobre os primeiros meses de vida de Rodriguinho.
Rodrigo fazia perguntas, parecia genuiname