Mundo de ficçãoIniciar sessão— Mas, se em algum momento acreditar que corre perigo ou precisar de ajuda, não pense duas vezes, pode me procurar — ele estendeu um cartão com seu nome, número de telefone pessoal e e-mail.
— Arthur Visconti... esse nome combina perfeitamente com você.Ela sorriu.
— Obrigada, Arthur, você está sendo muito gentil. — Vamos, você deve estar exausta. Vou te mostrar o seu quarto; pode tomar um banho para relaxar, se quiser.Ao subir as escadas, no corredor, havia algumas fotos de família. Arthur aparecia sorridente, com um olhar muito diferente do semblante triste que carregava agora.
— Essa é sua irmã? — Esmeralda perguntou curiosa, observando a menina de olhos azuis e cabelos escuros. — Sim.Em outra foto havia um casal que Esmeralda presumiu ser os pais de Arthur. Eram uma família linda.
— Ela se parece muito com a sua mãe — Esmeralda sorriu, observando a foto da irmã dele já adulta ao lado da mãe.Arthur parou no corredor; sua postura mudou e o olhar, que antes estava mais sereno, voltou a se tornar frio. Na última foto, a mulher já não aparecia entre eles.
Esmeralda ficou curiosa quanto a isso, mas decidiu que não deveria perguntar. Parecia ser algo pessoal demais.
O quarto era elegante e espaçoso. Esmeralda não via a hora de se deitar naquela cama e dormir; estava completamente exausta. Tirou as roupas e foi direto para o banheiro, ligou o chuveiro e deixou a água morna escorrer sobre a pele. Sentia como se carregasse um enorme peso nas costas. Acariciou a barriga, que ainda não revelava a gravidez, e deixou as lágrimas rolarem. Precisava colocar todo aquele sentimento ruim para fora.
Sentia como se não tivesse mais saída. Mesmo sofrendo com o que Vinícius havia feito, assim que soube da gravidez seu peito se encheu de alegria e amor pela criança. Apesar de todos os problemas que enfrentaria, estava feliz. Sempre sonhou em ser mãe e agora imaginava aquele bebê em seus braços. Já o amava e estava disposta a perder tudo para ficar com essa criança: era sua família.
Porém, doía saber que seria apenas ela e o bebê. Sempre que sonhava em ser mãe, havia também um homem em seus sonhos — um pai que amaria seu filho tanto quanto ela. Não conseguia acreditar no que Vinícius tinha feito; questionava se algum dia ele chegou a sentir algo verdadeiro por ela. Parecia real, custava acreditar que fora tudo uma farsa.
Mas a realidade era aquela: teria que seguir em frente. Seu coração se apertava ainda mais ao saber que sua família não estaria ao seu lado. Tudo em nome das aparências; para eles, o status social importava mais do que as próprias filhas.
Apoiou a testa na parede fria do banheiro enquanto lembranças invadiam sua mente. Era madrugada, a casa estava em silêncio. Tinha acabado de chegar de uma festa de aniversário, os olhos cansados quase se fechando sozinhos.
Não sabia se era pela exaustão ou pela quantidade de álcool ingerida — apesar de nunca passar do limite, sempre soube a hora de parar.
Tirou os sapatos e entrou fazendo o mínimo de barulho possível. Ao passar pela porta do quarto de Nina, ouviu um choro. Sua irmã, que amava festas tanto quanto ela, não a acompanhou naquela noite, dizendo não se sentir bem. Esmeralda insistiu em ficar, mas Nina a convenceu a sair e se divertir.
Esmeralda abriu a porta devagar e encontrou Nina sentada no sofá, olhando pela janela. Ela não percebeu quando a irmã entrou. Segurava um urso velho de pelúcia que tinha desde criança. Mesmo com os pais e Esmeralda insistindo para que jogasse fora, nunca quis: havia ganhado da avó já falecida e tinha um grande apego emocional.
Esmeralda se aproximou e sentou-se ao lado dela. De perto, pôde enxergar outro objeto em suas mãos: um teste de gravidez.
— Você está grávida? — perguntou, sem acreditar no que via.Nina parecia perdida em seus pensamentos. O choque estava estampado em seu rosto. Os olhos vermelhos e inchados denunciavam horas de choro.
— Estou.Foi só o que disse. Nem parecia a mesma Nina, sempre tão falante. Quando eram crianças, a mãe brincava dizendo que parecia um papagaio.
Esmeralda sorriu com a notícia e pulou nos braços da irmã em um abraço apertado.
— Eu vou ser titia, não consigo acreditar nisso!Seu peito se encheu de alegria. Por um instante, esqueceu a tristeza de Nina e já se imaginava com um sobrinho ou sobrinha nos braços. Iria mimá-lo, enchê-lo de presentes, seria a tia favorita.
Começou a contar seus planos, andando de um lado para o outro no quarto, mal conseguindo conter a felicidade. Nina se levantou e a puxou pelos braços, fazendo Esmeralda se calar e ficar parada.
— Ficou doida? Quer acordar a casa toda?Esmeralda arregalou os olhos. Devia ser o efeito do álcool; nem mesmo parou para pensar no que Nina estava sentindo. Será que ela queria aquele bebê? A dor estava estampada em seus olhos, mas Nina sempre sonhou em ser mãe… o que teria acontecido com ela?
— Você não quer o bebê? — perguntou.
Nina abaixou a cabeça e suspirou fundo.
— Nina, me fale o que está acontecendo. Você sempre sonhou em ser mãe, agora vai realizar esse sonho. — É complicado.— São nossos pais? Está com medo de dizer a eles? Eu estarei ao seu lado, não se preocupe. Se for preciso, vamos renunciar a tudo isso e viver juntas.
— Do que você está falando, Esmeralda? A vida não é um conto de fadas como você pensa. Nunca trabalhou na vida e está acostumada com todo esse luxo. — Você é mais importante para mim do que todo esse dinheiro. — Não importa. É mais complicado do que você imagina. — Então me diga por que é tão complicado, para que eu possa entender melhor — insistiu Esmeralda. — Eles me mandaram abortar a criança.Aquela frase foi como uma facada em seu peito. Nunca imaginaria isso de seus pais. Por mais rígidos que fossem, sempre deram de tudo às filhas e poderiam ajudar Nina com a criança. Dinheiro não era problema. Como poderiam sequer cogitar matar o próprio neto em nome de status social? Aquilo não era amor.
— Eu não consigo acreditar… jamais passou pela minha cabeça que teriam coragem disso — sua voz falhou no final, sentia um nó se formando na garganta. Não conseguia imaginar a dor que Nina estava sentindo.
— E o pai do bebê? Ele já sabe da gravidez? Fique calma, irmã, iremos resolver isso. Você não vai abortar essa criança. Eu estarei ao seu lado; se for preciso, vamos sumir do mapa e morar em um lugar onde jamais possam nos encontrar.Lágrimas escorreram dos olhos de Nina, que não conseguiu evitar o soluço de desespero.
— Eu não sei o que fazer, irmã. Ele virá atrás de nós, onde quer que estejamos. Não adianta escapar. — Ele quem? Está falando do nosso pai?






