Capítulo 5

 Iria seguir em frente sem ele; seria apenas ela e o bebê. Esmeralda jurou naquele momento que jamais contaria a Vinícius sobre aquele filho. Se o manipulador descobrisse, tinha certeza de que usaria a situação para conseguir dinheiro fácil.

Ele jamais saberia da criança, e nem mesmo seus pais poderiam descobrir quem era o verdadeiro pai. Se fosse preciso, inventaria uma mentira.

— Eu não tenho para onde ir — respondeu Esmeralda, com um olhar perdido.

De repente, como se tudo estivesse contra ela, uma chuva forte começou a cair. Arthur respirou fundo, observou a estrada, ligou o carro e deu partida.

— Para onde vamos? — perguntou, surpresa.

— Para a minha casa. Não se preocupe, você estará segura lá. É só por essa noite.

Por mais que Arthur fosse apenas um estranho, havia sinceridade em suas palavras. Ela acreditava que ele não faria nada contra ela. Agradeceu a Deus por ter colocado aquele homem em seu caminho, pois não estava pronta para enfrentar os pais ou confessar à melhor amiga o quão estúpida havia sido.

A chuva caía intensa, deixando-a aflita.

— Vai demorar muito para chegar à sua casa?

— Estamos quase chegando, não se preocupe — Arthur pegou em sua mão para acalmá-la, mas logo retirou o gesto e se endireitou no banco.

 Aquele tipo de afeto parecia novo para Arthur, e isso estava estampado em seu rosto. Esmeralda reprimiu o riso, mordendo os lábios.

Ele era do tipo que não gostava de demonstrar sentimentos, mas adorava um chamego. Não precisava conhecê-lo profundamente para perceber isso. Mesmo com o olhar intenso e frio, parecia que, com ela, a barreira que havia erguido ao seu redor para afastar as pessoas tinha desmoronado.

 O brilho em seus olhos era um bom sinal, mas assim que ajeitou a postura, voltou a exibir o olhar frio e distante.

Esmeralda estava interessada em saber mais sobre aquele homem diferente. Não era como os outros da alta sociedade com quem estava acostumada, sempre falando de bens materiais, riqueza e forçando um ar sedutor.

Arthur, em nenhum momento, se gabou de si. Mesmo que a situação não fosse propícia, os homens ricos que conhecia sempre arrumavam qualquer pretexto para exibir o ego. Ele, ao contrário, parecia alheio a isso.

Estava preocupado com a chuva. A estrada mal podia ser vista, mas, por sorte, era um motorista experiente.

 Mais uma vez, agradeceu por estar com Arthur. Imagine se estivesse no meio da rua com toda aquela chuva!

 O carro foi diminuindo a velocidade enquanto se aproximava de um portão. Por sorte, a tempestade já começava a perder força. Esmeralda pôde ver a entrada do condomínio onde Arthur morava. Estava certa ao pensar que ele era podre de rico: as casas ao redor eram tão luxuosas quanto as do condomínio de seus pais.

 Graças a Deus por não morarem próximos; caso contrário, estaria perdida.

— Sua casa combina perfeitamente com você — disse, observando a entrada da residência luxuosa.

Ele sorriu.

— Espero que isso seja algo bom.

Assim que estacionou na garagem, Arthur se virou e pegou algo no banco de trás.

— Vista isso — disse, entregando-lhe um sobretudo que ficaria enorme nela.

Esmeralda arqueou a sobrancelha, mas aceitou o casaco.

— Para evitar alguma fofoca — ele se justificou.

— Tudo bem, eu entendi. Você tem toda a razão. Muito obrigada, mais uma vez se mostrando um perfeito cavalheiro.

Arthur engoliu em seco e endireitou a postura, como sempre fazia quando recebia um elogio. Parecia envergonhado ou desconfortável, como se não estivesse acostumado a ouvir palavras assim.

Saíram do carro e caminharam em direção à casa.

— Você mora sozinho? Não quero te causar problemas com sua namorada ou esposa.

— Não se preocupe com isso, sou solteiro e moro, sim, sozinho.

— Perfeito.

Arthur a encarou surpreso.

— Não foi o que quis dizer, perdão. Quero dizer, é bom que eu estando aqui não vá te trazer problemas com sua namorada, se tivesse uma… droga, me enrolei toda — disse Esmeralda, gaguejando. Sentia o calor aumentar; parecia que suas bochechas iriam pegar fogo.

Arthur, que a observava sério, não conseguiu evitar soltar uma gargalhada, o que a deixou ainda mais envergonhada.

— Que situação — ela murmurou, sem conseguir encará-lo, enquanto ele ainda ria.

— Tudo bem, eu entendi o que quis dizer.

Ele continuou andando, e Esmeralda o seguiu de cabeça baixa.

— Você não consegue ficar um minuto sem passar vergonha, não é mesmo? — repreendeu-se baixinho.

— O que disse? Eu não entendi — Arthur se virou para perguntar.

— Perdão, eu não estava falando com você. Quero dizer, estava falando sozinha.

Ela queria poder abrir um buraco no chão e se esconder de tanta vergonha. Aquele homem estava realmente mexendo com sua cabeça; nunca havia se sentido assim na presença de nenhum outro. O que estava acontecendo com ela?

Decidiu que era melhor falar menos dali em diante, para evitar novos constrangimentos.

— Aqui é a sala de estar, logo ao lado fica a cozinha. Lá em cima estão os quartos. Fique à vontade e sinta-se em casa.

— Certo, muito obrigada.

— Quer beber algo? Um vinho?

Ela bem que queria algo forte naquele momento. Estava tentada a dizer sim, afogar as mágoas e esquecer tudo o que havia passado. Porém, não podia beber nada alcoólico, não na situação em que se encontrava.

— Eu não bebo nada alcoólico.

Aquilo estava longe de ser verdade. Qualquer um que pesquisasse seu nome na internet encontraria sites de fofoca mostrando fotos dela bêbada em alguma boate. Por mais que seu pai tentasse pagar para que retirassem as imagens da filha caçula, alguns acabavam publicando.

 Mas isso ficou no passado. Depois que Nina morreu, tudo mudou: não só perdeu a pessoa mais importante de sua vida como também a liberdade. Sua rotina passou a ser vigiada vinte e quatro horas por dia. Os poucos momentos em que conseguia viver eram fruto de fugas calculadas dos seguranças, sempre com um bom plano e aliados.

 Pelo menos estava agradando seus pais, que haviam parado de cobrar tanto dela. Sua reputação estava melhorando; fazia tempo que não a chamavam de “patricinha baladeira” nas revistas ou redes sociais.

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