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CONSTRANGIMENTO NO MEIO DA FAMÍLIA

Enquanto o padre falava sobre união e companheirismo, Leila olhou para as próprias mãos, que coordenavam uma escola, que acolhiam crianças, que ensinavam adultos. Aquelas mãos não precisavam estar entrelaçadas às de alguém que escolhia o lado de fora.

Pela primeira vez em anos, ela se permitiu ouvir a música. Ela sorriu para a noiva, emocionou-se com os votos e sentiu o calor da amizade das mulheres ao seu lado. A decisão estava tomada: a noite dele seria escura, mas a dela teria luz.

Na recepção, o contraste ficou ainda mais evidente. Leon entrou no salão com o semblante fechado, sentando-se com a família e mal tocando na comida. Ele esperava que Leila se sentasse ao lado dele, em solidariedade ao seu silêncio.

Em vez disso, Leila circulou. Ela conversou com os pais dos seus alunos que estavam presentes, riu com os colegas pedagogos e brilhou sob as luzes do salão. Quando um grupo de amigos começou a elogiar o sucesso da nova escola, Leon apenas pigarreou, incomodado com o foco que ela recebia.

- Você não acha que já circulou demais?

Leon sussurrou, quando Leila finalmente se aproximou da mesa para pegar sua bolsa.

- Estamos dando um espetáculo. Todo mundo está notando.

Leila olhou diretamente nos olhos dele. Não havia raiva, apenas uma clareza cortante.

- Quem está dando um espetáculo de mau humor é você, Leon. Eu estou muito bem. Se você prefere ficar no escuro, fique à vontade. Mas eu não vou mais me apagar para que você se sinta melhor.

Ela não esperou a resposta dele. Voltou para o centro do salão para cumprimentar o casal de amigos que a convidara para a sociedade. Leon ficou para trás, assistindo, pela primeira vez, à mulher que ele tentou confinar em promessas vazias se tornar a dona da própria história.

De volta à mesa com familiares e amigos deles, alguns começaram elogiar ela e os sogros que gostavam muito dela, perceberam que eles estavam sem se falar, mas não deixaram de a elogiar também.

Os demais também perceberam, mas como ela estava bem alegre e não deu nenhuma atenção a ele, ficaram todos descontraídos, quando Leon percebeu que ela pareceu nem ligar para a chateação dele, numa hora em que o primo dele, Roberto brincou com ele, atacou Leila.

- Agora ela tem outros compromissos mais importantes.

- Como é Leon?

- Ué não é isso? Passou o dia fora hoje e depois ainda queria que eu tivesse de cara boa. Não pára mais em casa. Viajando o tempo todo. Agora só tem tempo para o trabalho.

- Leon, aqui não é lugar. Eu não sei o que está acontecendo com você, mas cada dia mais tem se tornado egoísta e implicante. Eu disse em casa que se tinha algo a ser resolvido falasse logo, mas aqui, não vou ficar calada se começar a me atacar não.

- Egoísta? Eu? Tá brincando comigo só pode? E estou te atacando desde quando?

- Parem os dois. Nem brincar com vocês podemos mais?

- Vamos dançar? _Disse Luane, esposa do Carlos, primo de Leon._

- Vamos sim...

A música subiu de tom e, como um imã, atraiu as mulheres para o centro do salão. Leila deixou a bolsa na cadeira e, sem pedir permissão, seguiu as amigas. Ela dançava com uma leveza que não sentia há anos, cada movimento parecia sacudir a poeira daquela casa silenciosa.

Enquanto isso, na mesa dos homens, o clima era o oposto. Leon bebia o terceiro copo de uísque, o rosto fechado em uma expressão de desprezo enquanto observava a esposa de longe. O silêncio dele era tão desconfortável que seus primos e o próprio pai, o Sr. Alberto, decidiram romper a barreira.

- O que foi, Leon? Parece que está em um velório em vez de um casamento. — comentou seu primo Roberto, tentando aliviar o clima.

Leon soltou uma risada amarga.

- É a Leila. Perdeu a noção. Agora decidiu que é a empresária do ano. Não para mais em casa, o jantar é por minha conta a metade da semana... O sucesso subiu à cabeça, e o casamento que se dane.

Os homens ao redor da mesa se entreolharam. Ricardo, que acompanhava de perto o crescimento da escola de Leila, não se calou.

- Pelo amor de Deus, Leon! A Leila está dando um show. Todo mundo na cidade comenta como ela é requisitada. Você devia estar orgulhoso, não reclamando de quem faz a janta. Sem contar que ela sempre te apoiou até hoje em tudo seu.

- Orgulhoso de ser deixado de lado?

Leon rebateu, a voz subindo de tom.

- Ela abandonou o papel de esposa para viver nessa fantasia de coordenação. Casamento é parceria, e ela rompeu o acordo.

- Que acordo?

Interveio outro primo, Marcos.

- O acordo de que só você pode crescer? Você sempre quis que ela fosse o seu suporte, mas agora que ela precisa do seu, você fecha a cara e trata a mulher mal na frente de todo mundo? Isso é ridículo, cara.

O Sr. Alberto, que até então apenas observava o filho com uma decepção crescente, pousou o copo na mesa com firmeza. O silêncio se instalou entre os homens.

- Chega, Leon. Suas reclamações não têm fundamento.

Leon tentou retrucar, mas o pai o cortou com um gesto:

- Eu vejo a Leila. Ela trabalha em dois turnos, cuida das crianças na escola com um amor que poucos têm e ainda tenta manter esse casamento de pé, apesar do seu humor insuportável. Você diz que o casamento é para a vida toda, mas está sendo o primeiro a destruir o seu por pura insegurança. Ver sua esposa crescer deveria ser sua vitória também. Se você continuar tratando-a como um fardo, vai acabar sendo o único fardo aqui.

Leon se calou, mas seus olhos queimavam de ressentimento. Ele olhou para a pista de dança e viu Leila rindo, cercada por pessoas que a admiravam. Ali, naquela mesa, ele percebeu que era o único que não celebrava a mulher que tinha ao lado. A barreira de culpas que ele tentou construir contra ela acabara de se tornar a sua própria muralha de isolamento.

Eles saíram, o deixando e foram dançar com as suas esposas, namoradas e Leon ficou com o pai. A mãe dele estava em outra parte da festa conversando com outros familiares.

- Pai, não começa. Só sabe eu quem vivo com ela.

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