Mundo de ficçãoIniciar sessão- Só sabe ela que te atura. Pensa que não estamos vendo seu tratamento com a Leila? Olha para ali Leon, olha bem a sua mulher. Tá entregando ela de bandeja para outro admirar, fazer o que você não vem fazendo?
- O que não estou fazendo pai? - Está sendo inimigo quando deveria ser apoio. Sua mulher está finalmente conquistando o espaço dela. Quem te apoiou nos bons e maus momentos? Em suas conquistas? - Que papo é esse pai? Ela não é nem doida? E nem vem com isso que vai ficar tudo bem. - Doido é você, deixando a sua mulher à toa, desprezando e depois vem outro e faz o que precisa ser feito. A sua mãe também já percebeu que vocês estão estranhos. - Pai, eu e a Leila não estamos bem, é verdade. Mas eu não estou traindo ela se é o que esteja pensando. Só estamos meio afastados, ela não para de trabalhar e quando estou em casa ela não está. Tô errado em achar isso ruim? - Mas você lembra né, que tudo seu, prá você chegar aonde está hoje, ela te apoiou e passou dias e meses sozinha não foi? - Pai... - Não foi Leon? Na pista de dança, Leila era o centro de uma alegria contagiante. Ela girava entre os casais de primos, ria com as amigas de longa data e, por alguns momentos, esqueceu-se completamente do peso que carregava nos ombros. No entanto, o corpo começou a cobrar o preço da jornada dupla entre a coordenação e a sala de aula. O suor frio na nuca e a garganta seca a trouxeram de volta à realidade. Ao olhar ao redor e ver os casais abraçados, sussurrando promessas e compartilhando sorrisos cúmplices, uma pontada de solidão a atingiu. Ela estava ali, mas estava sozinha. Disfarçou um suspiro, ajeitou o cabelo e decidiu sair de mansinho da pista em busca de um copo de água e um momento de paz na mesa da família. À medida que se aproximava da mesa, o som da música parecia abafado por vozes que ela conhecia bem. A atmosfera ali era pesada, carregada de uma eletricidade que fazia os pelos de seus braços se arrepiarem. - ...você está sendo um egoísta, Leon! — A voz do Sr. Alberto ecoou, firme e cortante. - A Leila é o melhor que já aconteceu nesta família e você a trata como se o sucesso dela fosse uma ofensa pessoal! Leila estancou a poucos passos de distância. Leon estava com o rosto vermelho, o copo de uísque apertado entre os dedos, pronto para rebater com a agressividade de quem se sente acuado. A mãe dele, Dona Mercedes, já havia se aproximado, colocando a mão no ombro do marido em uma tentativa de conter o escândalo iminente, mas seus olhos também fuzilavam o filho com uma desaprovação amarga. No instante em que Leila apareceu no campo de visão deles, o silêncio caiu sobre a mesa como uma guilhotina. O Sr. Alberto engoliu as palavras seguintes, Dona Mercedes forçou um sorriso pálido que não chegou aos olhos e Leon... Leon desviou o olhar imediatamente, a postura defensiva transformando-se em uma rigidez infantil. - Atrapalhei alguma coisa? Leila perguntou, a voz suave, mas carregada de uma percepção que desarmou a todos. Ela olhou para o sogro, depois para a sogra e, por fim, para o marido, que continuava encarando o fundo do copo. - Imagina, querida. A sogra disse mas estava com a voz trêmula. - Estávamos apenas... conversando sobre o futuro. Sente-se, você parece exausta. Leila pegou a jarra de água sobre a mesa e serviu-se, ignorando o tremor em suas próprias mãos. Ela sabia exatamente o que estava acontecendo. O "para sempre" de Leon estava sendo discutido por todos, menos por quem realmente importava. A sede que sentia não era apenas de água; era de uma vida onde ela não precisasse interromper discussões sobre o seu próprio valor. - É que todos estavam olhando, vocês estão falando muito alto. - Parou de dançar? Ou vai dar seu show ali até o amanhecer? - Leon, dá um tempo! Ela sai e vai até o banheiro. Lá ela não consegue mais segurar as lágrimas e chora muito. A sogra chega e a abraça. - Calma filha, é uma fase que vai passar. - Dona Mercedes, eu não aguento mais. Leon não vai mudar. E agora está me atacando, humilhando e reclamando do meu trabalho, que estou ausente em casa e... - O pai dele está atento e vai tentar descobrir o que está acontecendo, porque o Leon não era assim e vocês sempre foram tão apaixonados e se davam bem. - Leon mudou muito comigo e eu sinceramente não estou aguentando mais. Posso esperar de qualquer pessoa palavras duras como as dele, mas vindo dele, é uma facada. E tem sido uma atrás da outra. Elas saem do banheiro e Leila diz que vai chamar um táxi para ir embora. A sogra repreende ela. - Não faça isso. Eu vou avisá-lo que você já quer ir. - Não dona Lúcia, não faz isso por favor. Eu não quero olhar para ele hoje não mais. Além de ele ter bebido a noite toda. A sogra saiu para chamar o filho, mas ela pediu o táxi. Quando a sogra retornou, ela não estava mais. Leon também reclamou de ter que ir embora, mas quando a mãe disse que ela foi embora, ficou furioso e foi embora cantando pneu. Chegaram em casa quase ao mesmo tempo e ele já foi discutindo com ela. - Porque mandou minha mãe chamar para trazer você e veio de táxi? - Eu não pedi nada a ela. E nem a você. - Você achou lindo ficar dançando sozinha né? - Eu não tinha companhia, foi melhor sozinha para dançar. Já que quem deveria não esteve e nem está nem aí para mim. - Como é Leila? Ele falou alterado até por ter bebido além da conta. - Leon, abaixa o tom da sua voz comigo. Eu nunca dei o meu lugar para você desconfiar de mim. - Não falei nada disso. Mas você estava se exibindo mesmo. Até meus primos elogiando você o tempo todo. - Você está passando dos limites comigo. - Estou? E vai acontecer o quê se eu passar dos limites? Ele ficou meio irritado e ela disse mais: - A única pessoa que me interessava ali e sempre, era você, mas parece que você não quer mais e a minha paciência zerou em insistir em entender você. Boa noite. Ela subiu e foi para o quarto dormir, mas ele veio atrás e a segurou forte pelo braço. - Me solta Leon, está me apertando. Você bebeu demais.






