Capítulo 78
A chuva batia forte no para-brisa. Dentro do carro da segurança privada, estacionado em frente ao prédio, dois homens tentavam espantar o tédio do plantão noturno.
— Essa chuva não deixa eu sair pra fumar — resmungou Duarte, olhando a tempestade lá fora como se ela tivesse algo contra ele.
— Nem inventa de fumar aqui dentro. Tenho alergia à fumaça — disse Ribeiro, ajeitando o colete e suspirando cansado.
— Deixa de ser mulherzinha — Duarte provocou, levando a mão ao bolso à procura do maço.
— Vai se lascar — rebateu Ribeiro, tirando o celular. — Não vou ficar cheirando cigarro no meu horário, não.
Ele abriu o aplicativo de comida, procurando algo para pedir, enquanto o outro finalmente pegou o cigarro.
Assim que a ponta do isqueiro brilhou, o segurança nem levantou os olhos do celular:
— Ou você guarda isso, ou faço você engolir o cigarro aceso. Me respeita. Eu não fumo essa porcaria e não quero fumar de tabela.
O outro bufou, escondendo o cigarro dentro da mão como um ado