O tribunal estava frio, não pelo ar-condicionado ou por uma brisa externa, mas pelo peso do ambiente em si. A sala era uma espécie de cápsula de silêncio e tensão. Cada detalhe parecia amplificado: o som de páginas sendo viradas, os sussurros ocasionais dos advogados, o leve estalar de uma cadeira. Eu estava sentada entre meus defensores, mas, ainda assim, me sentia incrivelmente só, desejando que Bernardo pudesse estar ali ao meu lado. O juiz, com o semblante austero e inabalável, ocupava sua