Helena Narrando…
Dias depois.
A casa está silenciosa demais para um fim de tarde. Não o silêncio confortável da rotina organizada, mas aquele silêncio tenso, atento, que me mantém em estado de vigília constante. Antony dorme novamente, pequeno demais para entender por que o próprio corpo insiste em traí-lo de tempos em tempos. A febre voltou na madrugada anterior, discreta no início. Depois subiu, exigindo compressas, medicamentos, colo, paciência e aquela negociação íntima que toda mãe aprende a fazer com o medo.
Agora ele respira com mais calma. O peito sobe e desce num ritmo que observo como se fosse um marcador de estabilidade do mundo.
Estou sentada na poltrona ao lado do berço improvisado no meu quarto — porque, nos dias assim, ele não dorme sozinho. Nunca dorme. Minha mão repousa sobre a dele, pequena, quente demais, frágil demais para o tamanho das responsabilidades que carrego fora daqui.
A empresa mudou. Cresceu. Respira outro ar.
Mas aqui, dentro desse apartamen