Lorenzo Narrando…
A porta da minha sala é aberta com tudo.
Meu pai nunca precisou de avisos.
Heitor Vasconcelos atravessa com a mesma postura que sempre teve — ereta, controlada, quase imune ao peso dos anos. O cabelo grisalho está impecavelmente penteado para trás, o terno escuro ajustado com precisão, como se o tempo tivesse aprendido a respeitá-lo em vez de enfrentá-lo.
— Chegou cedo — comento, antes mesmo que ele fale.
Ele sorri de canto.
— Cheguei agora há pouco. — Olha em volta, analisando o andar como se estivesse inspecionando um território que, de certa forma, também é dele. — A viagem foi mais curta do que o esperado.
— Europa?
— Zurique, Frankfurt, depois Londres. — Ele afrouxa o nó da gravata com um gesto automático. — Nada que você já não conheça.
— O que o traz aqui? — pergunto, sabendo que a resposta nunca é simples.
— Você, meu filho.
Assenti com a cabeça.
— Você praticamente mora aqui — ele comenta.
— Funciona melhor assim.
— Para a empresa