Capítulo 8

Autora: Carol Silva

Paola Santana

Hoje é sexta feira e começa mais um dia....

- Bom dia Kelly... Digo entrando no consultório.

-Bom dia senhorita Paola. Kelly está na recepção e responde educada.

-Como está a minha agenda hoje? Pergunto me aproximando.

-Hoje está mais fraca, tem apenas quatro atendimentos. E marcaram para semana que vem dois que seriam hoje. Diz e me mostra a agenda.

-Sem problemas, amanhã é sábado e quero dormir até mais tarde. Suspiro.

-Essas últimas semanas a senhorita trabalhou de mais, e precisa mesmo de um descanso. Kelly sorri gentil.

-E por favor me chame apenas de Paola, não ligo para formalidades. Digo e ela sorri.

-Senhorita... Ops quer dizer Paola, hoje vai ser aniversário da minha irmã a Tenente Helena, ela vai fazer uma festinha em um barzinho vamos? Pergunta animada.

-Ah e mais ela passou no concurso de delegada federal e isso é mais um motivo da sua comemoração, ela está muito feliz. Kelly se emociona ao falar da irmã;

-Hum... não sei.... Fico pensativa.

-Acontece que hoje chegou uma amiga minha a Susy e não quero deixar ela sozinha. Digo pensando naquela maluca.

-Você pode levar ela, sem problemas nenhum. –Meu namorado é policial também e pode passar buscar vocês o que acha?

-Nossa quantas surpresas estou descobrindo sobre você né, em Kelly. Sorrio pra ela.

-Sim Paola, sou uma caixinha de surpresas. Ela ri dando um pulinho.

-Está bem, mas irei logo para a casa não sou muito fã de festas. Pisco pra ela e entro na minha sala.

Ligação on:

-Susy fui convidada para ir hoje em um aniversário, e você vai comigo amiga, ah e assim que eu sair daqui vou passar no supermercado.

-Nossa que legal, já vou conhecer algum gato por lá. Ela ri alto.

-Está bem amiga eu vou amar, ah aquela senhora que você me apresentou lá embaixo veio aqui e trouxe um monte de frutas. Diz empolgada.

-Qual delas? Pergunto curiosa.

-A dona Denise, e ela disse que quer falar com você amanhã. Disse que tem uma proposta pra te fazer amiga.

-Amanhã eu falo com ela, mas de qualquer jeito preciso ir no mercado estou sem shampoo e meu condicionador está no fim já. Eu te ligo a hora que eu sair daqui beijos.

-Hoje só tenho quatro pacientes e eu saindo daqui vou direto pra casa. Falo aliviada pela ajuda de dona Denise.

-Mil beijos branquela. Susy e suas manias.

Ligação off

Logo batem na porta e eu digo que entre, ali estava uma senhora de mais ou menos uns 35 anos, ela me olha e peço que ela se sente e fique à vontade. Assim ela faz, dava pra ver a tristeza nos seus olhos, e mesmo eu trabalhando com essa área e que eu amo, ainda me surpreendo com alguns casos e para ajudar cada paciente eu tento me colocar em seu lugar.

Paola: Bom dia, qual o seu nome por favor?

Paciente: Bom dia me chamo Valéria! Diz com os olhos marejados.

Paola: Bom dona Valéria, me conte o que está acontecendo com você? Pergunto me sentando na poltrona de frente pra ela.

Valéria: Doutora quando deito pra dormir, com a escuridão da noite, memórias me trazem lembranças de puro sofrimento. Já sofri muito na minha infância, e isso sempre vem a minha mente sem que eu possa impedir. Ela começa a chorar.

Meu coração fica partido em pedaços, minha alma morta, e meu corpo enfraquecido.

As lágrimas insistem em descer, estou perdida em um mundo cercado de desgraça, miséria e dor.

Em um mundo desumano onde o único objetivo das pessoas ao meu redor é ser melhor que os outros, em um mundo onde o amor perdeu o sentido e o ódio reinou.

Paola: E porque você se sente assim, o que houve que te fez tão mal?

Valéria: Quando eu tinha 12 anos meus pais precisou fazer uma viagem importante e na volta eles sofreram um acidente de carro e com isso eu tive que ir morar na casa minha tia irmã da minha mãe, já que ela não deixou que eu ficasse com o meu irmão e meu tio que é irmão do meu pai, e tudo isso era apenas por interesse a única coisa com que ela se importava era a alta quantia em dinheiro que meus paia tinham deixado pra mim e pro meu irmão, pois meu pai era dono de uma grande empresa de alimentos( Alimentos Rivera) e que ainda está de pé graças a ajuda do meu irmão mais velho. Hoje presidente da empresa.

Paola: Sua tia cuidou apenas de você é isso?

Valéria: Sim, o Pedro ficou com meu tio o irmão do meu pai, e ele teve de tudo, estudo e amor que era o mais importante. Minha tia o tratava como filho.

Paola: Quantos anos seu irmão tinha?

Valéria: Ele tinha 17 anos e já sabia o que queria da vida, pois sempre foi muito apegado com meu pai e eu era apegada com minha mãe, que cuidava das finanças da família. Assim como eu cuido hoje junto com meu irmão.

Paola: E o que aconteceu que te marcou desse jeito?

Valéria: Logo que eu fui morar lá, eu tinha um quarto só pra mim, só que o marido da minha tia me olhava muito, e eu nunca gostei dos seus olhares. Minha tia não se importava pois ela gastava uma boa quantia todo mês com os luxos do marido dela, e quase não me dava nada.

Valéria: Um dia foi visitar meus tios e ela ficou brava quando eu contei o que ela fazia, contei ao meu irmão os olhares do marido da minha tia, pois eu não o chamava de tio.

Meu irmão ficou muito bravo e queria ir tirar satisfação, mas meu tio não deixou dizendo que ele iria entrar na justiça pra ficar comigo também. Naquele momento minha tia me abraçou e eu chorei muito.

Doutora demorou alguns dias e meus tios entraram na justiça e ganharam a minha guarda, então minha tia deu uma festa para a família, estava todos presente ali para comemorar a vitória deles, todos os nossos parentes estavam lá, só que eu estava com muito sono e fui dormir, quando no meio da noite acordei com aquele homem bêbado passando as mãos em mim e isso me deixou com medo, ele dizia pra que eu ficasse quietinha, que eu iria gostar.

Suas mãos foi percorrendo minha intimidade e seus dedos passava lentamente por cima da minha calcinha, nesse momento eu gritei, gritei muito alto e ele tapou minha boca e veio pra cima de mim. Nesse momento meu irmão entrou no quarto e foi pra cima daquele homem com toda sua força.

Ele estava furioso pois estava bêbado e foi pra cima do meu irmão e nesse momento não me importei com nada, acertei um vaso de prata em sua cabeça e ele desmaiou.

Meus tios o mandou pra cadeia e por isso ele acabou sendo morto dentro da cadeia e minha tia me odiou por ter acontecido aquela confusão toda. Mas eu não tive culpa. Ela chorava muito.

Paola: Minha querida entenda que nessa história você é inocente, você sabe, não sabe? Pergunto segurando seu queixo.

Valéria: Eu sei, mas me sinto mal com tudo isso até hoje, mesmo depois de ter me casado e sabendo que meu irmão cuida de mim como se eu ainda fosse aquele menina de 12 anos. Me sinto sozinha, e por isso que vim até aqui me indicaram a senhorita e estou bem falando com você.

Paola: Sabe o que acontece é que amor foi aniquilado do coração do homem, o amor foi despedaçado. E eles agem como animais, mas saiba que você pode mudar essa situação, você tem a vida pela frente.

Valéria: Não doutora, eu me sinto melhor dentro do meu quarto no escuro, fico mais à-vontade! Pois ninguém me vê, onde ninguém pode reparar meus defeitos, onde posso amar sem me preocupar com beleza física, sem saber qual sua cor, seu nome!

Paola: Tudo pode ser mudado e você encontrar algo que lhe faça bem, um exemplo seria você ajudar uma criança de rua, ou ajudar um orfanato.

Até mesmo fazer artesanatos em seus momentos livres e isso te deixará feliz, você se sentira super bem e espero que na próxima consulta você esteja bem melhor, leia um livro, dance e saia para passear.

Paola: Por acaso você tem algum animal de estimação? Pergunto.

Valéria: Não, não tenho. Ela responde cabisbaixa.

Paola: Bom na próxima semana vamos falar sobre algumas atividades está bem?

Valéria: Sim, doutora obrigada. Saiba que estou muito feliz em ter te conhecido.

-Eu também adorei te conhecer, e mesmo fora do consultório pode falar comigo quando você quiser.

Obrigada Paola e que Deus lhe abençoe sempre.

Fim de consulta.

[...]

A manhã passou rápido e quando me dei conta já tinha acabado meus pacientes, arrumo os papéis em minha mesa pego minha bolsa e fecho a porta atrás de mim.

-Tchau Kelly até segunda - feira. Falo me despedindo.

-Tchau Paola até mais tarde no Clubes Bar. Ela sorri se despedindo.

[..]

Quando estou quase chegando ligo para Susy e peço que ela me encontre no supermercado, ela me diz que não seria necessário comprar nada porque tinha chegado muitas coisas lá em casa e que só precisava comprar mistura.

Não entendi bem, e continuei andar já que não tinha dinheiro para o táxi, ando tranquilamente ouvindo a música Só hoje do Jota Quest, ela é muito linda e com isso vou andando vendo o entardecer que estava muito lindo.

Logo encontro Susy e vamos até o mercado, compramos algumas misturas e umas besteiras de mulher e voltamos para casa, meus saltos estavam me matando e eu queria muito tomar um banho.

Chego em casa e olho em cima da mesa, do sofá, ali tinha alimentos que dava pra uma família enorme comer por muito tempo e junto deles uma cesta linda com muito chocolate e um bilhete dizendo:

Até agora você foi a melhor pessoa que apareceu em minha vida e quero que você aceite esse presente como agradecimento da minha consulta de hoje. Assinado Valéria. Meus olhos marejam com tamanho carinho. Afinal só fiz meu trabalho.

[.........]

-Você está linda amiga. Diz Susy me olhando e sorrindo.

-Obrigada, você também. Retribuo o sorriso.

Estou usando um vestido todo vermelho com as costas toda aberta, coloco um salto preto e decido deixar meus cabelos levemente ondulados. Susy me maquia pois ela manja mais nessas coisas que eu, decido usar um perfume diferente, hoje vou de Lua um perfume delicioso que meu pai me deu quando fiz meus 17 anos e foi justo o ano em que eu o perdi, e uma lágrima cai ao me lembrar do meu pai, e sem que eu possa controlar cai mais uma lágrima e logo eu as seco para não borrar a maquiagem.

-O minha branquela, hoje não é dia de tristeza, espanta ela pra lá e deixa os pensamentos tristes irem embora. Diz Susy me animando.

Susy usava um vestido preto com um dos seus ombros a mostra, ela deixou seus cachos soltos e que inveja desse cabelo, é uma inveja boa, pois Susy sempre cuidou e cuida muito desse cabelo dela, ela faz uma maquiagem coloca um salto e saímos logo que seu Valmir diz que tinha uma moça à minha espera. Deduzi que fosse a Kelly e logo saímos.

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