Capítulo 4

Logan

Dando as costas e ignorando o chamado do avô, Logan caminhou até o quarto.

Estava exausto.

A semana havia sido puxada, cheia de reuniões e problemas na empresa.

E, justamente no único dia em que saíra para relaxar com os amigos, acabou estampado nos sites de fofoca ao lado da bela ruiva.

A noite nem tinha sido como a manchete insinuava.

Ele já estava cansado daquele repórter que parecia tê-lo transformado em alvo pessoal.

Onde quer que fosse, o sujeito aparecia com uma câmera, sempre pronto para registrar momentos comprometedores.

Logan precisava descobrir quem estava por trás daquilo antes que o avô surtasse de vez.

Assim que abriu a porta do quarto, congelou ao encontrar uma loira seminua deitada em sua cama.

— Kayla, o que está fazendo aqui?

— Estava esperando por você.

Ela passou a mão pelos cabelos em um gesto que provavelmente considerava sedutor.

Para Logan, porém, a cena era apenas ridícula.

A prima usava uma lingerie rosa minúscula, os fios dourados caindo sobre os seios volumosos, enquanto segurava uma das novas pistolas automáticas lançadas pela Fox Armaments.

— Eu não quero você no meu quarto. Já falei para parar de entrar aqui. Sai agora mesmo.

— Tem certeza? — Kayla fez um biquinho, deslizando a arma lentamente pelo próprio corpo. — Acho que seu avô não gostaria de me encontrar assim aqui dentro…

— Ele mandaria você embora da mansão. E, sinceramente, eu adoraria assistir.

Ela soltou uma risadinha e se aproximou devagar.

— Acho que não. Seu avô vive reclamando que você precisa casar e assumir responsabilidades. Aposto que ele obrigaria você a se casar comigo.

— Não seja absurda. O velho pode ser controlador, mas não é idiota. Jamais me obrigaria a casar com uma prima oportunista.

— Somos primos de segundo grau. Não é tão próximo assim... — Ela sorriu. — E eu não sou oportunista. Estou apaixonada por você desde que cheguei aqui.

Logan revirou os olhos, já sem paciência.

— Ótimo. Então vamos tirar isso a limpo. — Ele abriu a porta do quarto e gritou: — Vovô! Pode vir aqui um instante?

Não demorou para Anthony Fox aparecer no corredor, claramente irritado.

— Que diabos significa essa gritaria...? — Ele parou ao ver Kayla seminua. — Mas que inferno é esse?

Logan cruzou os braços.

— Sua sobrinha resolveu invadir meu quarto porque acha que pode me forçar a casar com ela. Pode tirá-la daqui ou eu faço isso?

— Logan, eu…

— Chega! — rugiu Anthony, encarando a sobrinha. — O que pensa que está fazendo? Acha que vou permitir uma palhaçada dessas?

Kayla empalideceu.

— Tio Anthony, eu só…

— Não me venha com mentiras! Eu sei muito bem que Logan não chamou você aqui. Ele estava comigo no escritório até agora. Se estivesse interessado em encontros secretos, não teria passado horas discutindo assuntos da empresa.

A garota tentou conter as lágrimas.

— Mas eu amo ele…

— E eu não me importo! Vá imediatamente para o seu quarto. E escute bem: se eu descobrir que entrou aqui outra vez, você sai desta casa. Fui claro?

Kayla saiu correndo pelo corredor, chorando.

Anthony ainda resmungou algumas reclamações antes de se afastar, mas Logan já fechava a porta do quarto.

Ele passou a mão pelos cabelos, frustrado.

Definitivamente, aquele tinha sido um dia infernal.

Precisava descansar.

Talvez sair, beber alguma coisa ou encontrar uma mulher bonita para esquecer os problemas por algumas horas.

Mas então as palavras do avô voltaram à sua mente.

“Ou aparece comprometido… ou perde tudo.”

O sorriso desapareceu de seu rosto.

Não podia entregar a empresa para Robert.

E, acima de tudo, precisava finalmente resolver as pendências do passado.

Após alguns segundos em silêncio, pegou o celular e fez uma ligação.

— Oficial… — disse em tom firme. — Eu aceito a proposta.

(***)

Felicity

O carro percorria a rodovia, com eles conversando sobre os conhecidos em comum.

— Como está a Lydia?

— Está muito bem, cuidando dos filhos. Já são 4. O mais velho, você lembra dele. Ela teve gêmeos depois, e o Max resolveu trazer uma menininha para casa.

— Sério? E a Lydia aceitou?

— Era uma garota que escapou de um atentado terrorista. O Max a salvou e, como ela perdeu toda a família, ele a trouxe. Mas Lydia não reclamou. Ela ama a garota.

— Vou visitá-la e conhecer seus filhos.

— Lydia vai ficar muito feliz. Ela sempre pergunta por você. Você foi sua primeira criança.

Felicity sorriu. Ela amava Lydia.

A babá foi a única pessoa a protegê-la enquanto ela crescia com os Benson.

George a demitiu assim que o Sr. King foi enterrado. Ele nem mesmo esperou terminar o luto.

Se houvesse algo que Felicity amasse, Brigitte faria com que fosse retirado dela.

O ódio da senhora Benson era incompreensível, afinal ela havia conseguido a posição de esposa de George, mas, ainda assim, tornou a pequena King seu alvo de maldades.

Brigitte não era a única Benson a agir contra ela.

Brittany infernizava sua vida todos os dias, e Junior a aterrorizava a cada momento.

O colégio interno na Suíça veio como um sopro de alívio.

Não haveria Brigitte humilhando-a a cada segundo do dia ou Brittany sendo mimada e roubando o pouco que ela conquistasse.

Mas o melhor de tudo era não ter George Junior por perto. Ele era um assediador.

Se Felicity tivesse ficado, teria provavelmente sido abusada por ele, e nenhum dos Benson se importaria.

Ela ouvira sobre ele assediar uma das empregadas e, em poucos dias, a garota foi abusada até quase a morte.

O Sr. Benson não fez absolutamente nada; preferiu ignorar o fato e demitir a moça.

Quando Felicity tinha 13 anos e começava a desenvolver a sua feminilidade, Junior passou a tentar se aproximar e, sempre que possível, deixava claras suas intenções nojentas.

Embora os empregados não se importassem com ela, ao menos não deixavam que o garoto a encontrasse sozinha.

Principalmente John, ele a protegia sempre que podia.

A ideia do internato veio do Sr. Benson, provavelmente temendo que seu filho a matasse antes que pudesse colocar as mãos sujas em sua herança.

— Haverá convidados no jantar essa noite, John?

— Acredito que será apenas a família. Eu ouvi que o Sr. Benson tem planos para a senhorita. Acho que um casamento.

— Hum... Imagino que não seja algo que eu vá gostar. Você pode sair da rodovia e seguir pelo centro? Faz tantos anos que fui embora...

— Claro, senhorita, mas vamos acabar atrasando.

— Não vai ser problema. Direi à Brigitte que foi meu pedido. Por favor, John, você pode parar na próxima lanchonete? Preciso descer lá.

— Mas, senhorita, a senhora Benson falou para levá-la o mais rápido possível...

— Não vou para a armadilha, John. Eu sei quais são os planos dos Benson e não vou colaborar com eles.

— Então o que vai fazer? Se for para a Lydia, eles irão atrás de vocês, e toda a família será prejudicada!

— Não vou para a Lydia. Tenho os meus planos e não vou falar mais nada. Apenas pare o carro e espere por mim uns 10 minutos. Eu não vou voltar, e você poderá ir até a lanchonete procurar-me. Assim você terá respostas que satisfaçam os Benson. Não vou deixar que eles te prejudiquem por minha causa.

— Eu ainda acho que isso vai ser um problema para a senhorita.

— Não se preocupe, John. Estarei segura. Logo estarei na mansão para colocar tudo em ordem. Eu sou uma King Smith e não vou deixar roubarem o que é meu!

John parou o carro na entrada da lanchonete, e Felicity desceu.

Ela sentia o medo a envolver.

Será que ele havia desistido?

Ela estava atrasada.

Olhou em volta em busca de encontrá-lo, mas sem sucesso.

Ele desistiu de ajudá-la? — pensou, começando a temer seu futuro.

Respirando fundo, entrou na lanchonete e dirigiu-se ao balcão.

O lugar estava meio vazio naquele horário, e nenhum dos rostos era conhecido.

Esperou um pouco enquanto fingia olhar o cardápio, sentindo o suor frio escorrer por suas costas.

Não podia ir para a mansão.

Não podia deixar os Benson vencerem.

A mera ideia de ter o odiável e cruel George Junior no seu encalço a fazia estremecer.

Mas, se ele tivesse desistido dela, não haveria saída.

Estava prestes a dar a volta e sair quando ouviu:

— Olá, Felicity!

Ela virou-se e encarou os olhos dele — o verde que fez sua mãe se apaixonar e que a fizeram respirar aliviada na primeira vez que o fitou.

— Olá, papai!

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