Mundo de ficçãoIniciar sessãoFamília Benson
— Como assim a garota desapareceu?
— A incredulidade e a raiva eram evidentes na voz do Sr. Benson enquanto encarava o empregado.
— E-eu não sei, senhor…
— Você perdeu a minha noiva!
Junior rugiu ao agarrar o motorista pelo pescoço.
Os olhos de John arregalaram-se em desespero.
— Solte-o, Junior! — ordenou George.
— Não, pai! Ele vai pagar por perder a Felicity!
O olhar do rapaz era perturbador.
George lançou um olhar irritado para o filho.
— Eu não vou repetir. Precisamos dele vivo para descobrir onde a garota foi parar.
Junior soltou John com relutância.
O motorista respirou com dificuldade, o rosto já arroxeado.
Brittany e Brigitte observavam a cena com completa indiferença.
— Muito bem, John — disse George, tentando controlar a própria irritação. — Conte tudo desde o começo.
— Ah, céus, George! — Brigitte interrompeu com impaciência. — Será que você não percebe? Aquela garota provavelmente fugiu com algum namorado ou algo assim.
— Ela não fugiu para encontrar namorado nenhum! — rebateu George, irritado. — Eu sei cada passo que Mary Ann dá. Ela embarcou naquele avião e chegou hoje em Washington. O que aconteceu depois disso é o que precisamos descobrir.
Ele voltou a encarar John.
— E acredito que você vai nos ajudar com isso, não é?
O motorista assentiu, claramente nervoso.
— Eu fui buscá-la no aeroporto e seguimos normalmente em direção à mansão. No caminho, a senhorita pediu para passarmos pelo centro da cidade. Depois, pediu que eu parasse em um restaurante chamado Dinner Ruby porque queria comprar água.
E por que você mesmo não foi comprar? — questionou Junior, agressivo.
— Eu me ofereci, senhor. Mas ela disse que queria entrar sozinha e que não demoraria.
— E você simplesmente deixou?
— Quando ela demorou a voltar, eu fui atrás. Mas ela não estava lá. A atendente disse que a senhorita nem chegou a entrar no restaurante. Eu pedi para verificarem até o banheiro...
George franziu a testa.
— O que você acha que aconteceu? Um sequestro? Mas quem saberia que ela estava chegando hoje? — Talvez alguém tenha reconhecido o carro — sugeriu Junior, irritado.
— O Bentley chama atenção.
— Não seja idiota — rebateu o pai. — Esse carro vive transportando a Brigitte. Um sequestrador não confundiria as duas.
Brigitte arregalou os olhos.
— Meu Deus... Será que planejavam me sequestrar?
George lançou-lhe um olhar frio.
— Duvido muito.
Ele começou a andar de um lado para o outro pela sala antes de voltar-se novamente para John.
— Onde exatamente você parou?
— Em frente ao Dinner Ruby, senhor.
— E quanto tempo ela ficou desaparecida antes de você sair atrás?
— Menos de dez minutos.
George estreitou os olhos.
— Se ela não entrou no restaurante, você deveria ter visto para onde foi.
John engoliu em seco.
— Eu... estava respondendo uma mensagem no celular. A senhora Benson havia me enviado uma mensagem e…
— Isso é inacreditável! — explodiu Junior. — Como você pôde simplesmente ficar sentado? Ela pode ter entrado em uma farmácia ou qualquer outro lugar! Você é um incompetente!
— Já chega — interrompeu George. — Não adianta gritar agora.
Ele parou por alguns segundos, pensativo.
— Faz muitos anos que Mary Ann saiu da cidade. Ela não sairia andando sozinha sem um motivo. Ela não é tão burra assim.
Então voltou-se lentamente para a esposa.
— Brigitte... você tem alguma coisa a ver com isso?
— Eu? Claro que não! Por que teria?
— Porque você odeia aquela garota.
— George, pelo amor de Deus! Não fiz nada contra ela.
— Alguma coisa aconteceu — murmurou ele. — E precisamos encontrá-la rápido.
George passou a mão pelo rosto, claramente nervoso.
— Vou procurar Xavier. Ele pode colocar alguns homens atrás dela. E você — apontou para Junior — deveria falar com aquele sujeito com quem anda fazendo negócios.
— Dante?
— Sim. Não é ele quem controla aquela região? Ele deve ter visto alguma coisa ou sabe de algo.
— Vou falar com ele pessoalmente. Não gosto de deixar rastros por telefone.
George assentiu.
— Tem razão. Eu também vou evitar ligações. Vou direto ao distrito fazer a denúncia. Precisamos colocar mais gente procurando.
Brittany revirou os olhos.
— Talvez algum bandido tenha matado ela e finalmente a gente fique livre desse problema.
George virou-se furioso para a filha.
— Não diga idiotices! Se ela morrer, nós perdemos tudo!
Brittany piscou, confusa.
— Mas... se ela morrer, a herança não fica para os irmãos?
— Não! — rugiu ele. — O velho King deixou tudo exclusivamente para ela! Se Mary Ann morrer antes de casar ou ter filhos, toda a fortuna será vendida e o dinheiro irá para a fundação beneficente do Elliot King. Nós não herdamos um centavo!
— Que horror! — exclamou Brigitte, levando a mão ao peito. — Não podemos perder essa casa! Nem nossa posição social!
George pegou o paletó com irritação.
— Por isso vamos encontrá-la antes que algo aconteça.
Ele então encarou Brittany de forma ameaçadora.
— E espero sinceramente que você não tenha se metido nisso.
— Claro que não, papai!
— É melhor que esteja dizendo a verdade. Porque, se tiver feito alguma coisa, pode se despedir da vida que leva.
Com a raiva visível em seus olhos, ele saiu da mansão.
Junior também olhou para sua mãe e irmã com um olhar assassino, antes de sair em busca de informações.
Brigitte e Brittany se entreolharam, nenhuma das duas faziam ideia do motivo daquele alvoroço todo.
Era só a garota odiada que havia desaparecido.
Que notícia melhor eles poderiam querer?







