Mundo ficciónIniciar sesiónWengen é uma pequena vila turística nos alpes suíços. Théo Souza fica preso surpresa pelo “lockdown” suíço e o único meio sair e entrar Wengen é trem, que não vai mais passar por um mês. A cidadezinha é livre de carros, as pessoas andam a pé ou de bicicleta. Veiculos motorizados não são permitidos. Théo, o mochileiro brasileiro que planejava rodar o mundo antes de se dedicar integralmente a Medicina no Brasil, se vê no meio de um conflito familiar, da pobreza de uma família de apenas mulheres e na disputa do seu amor por duas irmãs.
Leer másEu estava mesmo fazendo isso.
Andava de um lado para o outro na antessala do salão de festas do Hotel Milani, um dos lugares mais luxuosos da cidade, tentando convencer a mim mesma de que aquilo era uma boa ideia. Contratar um gigolô para fingir ser meu noivo? Deus me perdoe, mas eu não tinha escolha.
Meu ex-noivo estava prestes a se casar. E não com qualquer pessoa, mas com a minha ex-melhor amiga. Sim, eu fui duplamente traída, num pacote "compre um, leve outro" que eu nem sabia que estava assinando. Se existisse um programa de fidelidade para otárias, eu já teria acumulado pontos suficientes para resgatar um tapa na cara e uma passagem só de ida para o fundo do poço.
Ignorar o casamento? Era o que eu queria. Mas Elise fez questão de me ligar pessoalmente! Claramente ela estava querendo rir de mim, me humilhar. Mas eu não podia perder aquela briga. Então disse que iria. Mas pior: eu disse que iria acompanhada pelo meu noivo incrivelmente gato e rico!
— Rico? — Ela riu, parecendo não acreditar.
— Ele é herdeiro de uma das maiores empresas do país — menti.
— Estou ansiosa para conhecê-lo.
No dia seguinte, a notícia já tinha se espalhado. Não fazia nem vinte e quatro horas desde que o convite tinha chegado, e de alguma forma, todos os nossos amigos em comum já sabiam que eu ia ao casamento. E pior: que eu levaria meu noivo milionário.
Agora, além de ser obrigada a comparecer, ainda estavam esperando um espetáculo. Se havia alguma chance de recusar antes, agora não existia mais. Eu precisava ir. Mas se eu ia, não podia aparecer sozinha, humilhada e derrotada. Precisava fingir ser alguém que eu não era.
Fingir já era praticamente meu segundo emprego quando se tratava do meu ex. Eu fiz isso por anos. Fingia que não percebia quando ele chegava em casa com outro perfume impregnado na roupa. Que não notava as desculpas esfarrapadas, os olhares trocados entre ele e Elise quando achavam que eu não estava olhando.
Eu ainda me lembro do vestido que usava, do som abafado da chuva lá fora, do silêncio pesado no apartamento de Elise quando cheguei ali sem avisar. Meu coração já batia forte no peito quando empurrei a porta entreaberta e os vi.
O homem que deveria ser o amor da minha vida, deitado no sofá entre as pernas da minha melhor amiga.
— Alex?
Os dois congelaram. Ele apenas suspirou e soltou um riso nasalado, sem um pingo de remorso.
— Zoey… Isso não ia durar mesmo.
Meu peito travou.
— Isso…?
— Zoey, sinceramente… Você sempre foi tão sem graça — Elise disse.
Minha cabeça virou para ela em um estalo.
Ela deu um sorrisinho de canto, mexendo no próprio cabelo com desdém.
— Você sempre se esforçou tanto pra ser perfeita. Pra ser a namorada ideal, a amiga ideal, a pessoa confiável. Mas vamos encarar a verdade? Você nunca teve nada de especial.
O golpe veio certeiro. Direto na minha alma. Minha melhor amiga. Meu noivo. Os dois rindo da minha cara.
— Ninguém nunca vai escolher alguém como você, Zoey — Elise continuou, implacável. — Você só serve pra ser coadjuvante na vida dos outros.
Foi naquele momento que eu soube. Eu nunca fui a mulher que Alex queria. E talvez nunca fosse a mulher que alguém quisesse.
Então, se eu não podia vencer na vida, ao menos venceria na aparência.
Meu celular apitou, e eu rapidamente peguei para ler a mensagem.
"Estou atrasado, mas já estou chegando."
Revirei os olhos. Pelo que eu paguei, ele não deveria cometer erros básicos como esse.
— Zoey? Não vai entrar?
Amanda, uma das minhas ex-amigas da faculdade, me analisava de cima abaixo, como se esperando que meu noivo aparece no ar a qualquer momento.
— Meu noivo já está vindo. Te vejo lá dentro.
Droga, cadê ele?
Antes que eu pudesse mandar mais uma mensagem, meu celular desligou. Trabalhei durante todo o dia e não tive tempo de carregá-lo antes de vir.
— Ah, ótimo! Agora, se algo der errado, estou completamente ferrada.
Minutos depois, ele chegou.
E, meu Deus do céu.
O homem era um pecado ambulante. Alto, facilmente um metro e noventa, corpo esculpido na medida certa, um terno preto perfeitamente ajustado que gritava poder e uma presença tão intensa que parecia fazer o ar tremer ao redor dele.
O cabelo castanho escuro estava levemente desalinhado, o tipo de bagunça proposital que só homens bonitos conseguem usar sem parecerem desleixados. A barba bem-feita, as feições marcantes, os olhos penetrantes de um azul acinzentado que me congelaram no lugar por alguns segundos.
Eu só tinha visto fotos de corpo antes de escolhê-lo. E se elas já eram boas, o rosto era melhor ainda.
Minha mente apagou qualquer outro pensamento e meus pés se moveram sozinhos. Antes que ele pudesse dizer qualquer coisa, agarrei seu braço com força e o puxei para perto.
— Você está atrasado! — reclamei.
Ele franziu as sobrancelhas, claramente confuso, mas não recuou.
— Desculpe?
— Não temos tempo! — continuei, ignorando seu tom de dúvida. — Mas vou fazer uma revisão rápida: meu nome é Zoey Aguilar, tenho 26 anos, e meu ex-noivo e minha ex-melhor amiga estão se cansando. E eu preciso de um homem absurdamente gato e que finja ser um herdeiro extremamente rico ao meu lado para não parecer que não sou uma fracassada total.
O homem piscou, como se processasse cada palavra devagar. Claramente ele tentava não rir.
— Certo… e esse homem gato e rico seria…?
— Você, óbvio. — Fiz uma careta. — Pra isso que estou te pagando, e muito bem, por sinal.
Ele inclinou a cabeça, agora um pouco mais divertido do que confuso.
— Então eu vou ser pago?
Bufei.
— Você é louco ou o quê? Mas deixa pra lá, não preciso que você seja inteligente. Preciso que seja gostoso, sorria bonito e finja que me ama por uma noite. Uns beijinhos, uns toques, nada demais...
A boca dele se curvou num sorriso safado, cheio de malícia.
— Isso eu posso fazer.
Meu coração falhou um batimento. O que era esse homem, e por que ele me olhava desse jeito?
— Ótimo. — Fingi não me afetar e puxei sua mão para irmos em direção ao salão. — Vamos logo, não posso me atrasar mais!
Enquanto atravessávamos o corredor, algo me ocorreu.
— A propósito, precisamos definir o seu nome.
Ele arqueou uma sobrancelha, claramente se divertindo.
— Definir o meu nome?
— Lógico! Você precisa de um nome de herdeiro...
Tirei do bolso uma listinha que minha irmã tinha preparado pra mim com os sobrenomes mais importantes o Brasil.
Ele soltou uma gargalhada genuína, grave e deliciosamente perigosa.
— Anda, escolhe.
Ele parou por um segundo, e o sorriso brincalhão voltou aos lábios.
— Christian Bellucci.
Antes que eu pudesse responder, as portas se abriam, e lá estava Elise. Ela arregalou levemente os olhos, deixando escapar...
— Bellucci... Da vinícola Bellucci?
Capítulo 10Algumas partidas geram novas chegadasEmma chorava sem parar no colo de Théo. A enfermeira da clínica já tinha retornado e o médico tinha administrado um calmante para Emma, mas parecia fazer pouco efeito. Ele não sabia bem o que fazer mais, apenas a consolava.- Théo, isso deve ser mentira, deve ser uma confusão, minha mãe deve estar muito mal se for verdade, minha irmã, Théo - Ela o agarrava enquanto chorava copiosamente sem que nada pudesse abrandar aquela dor.- Vamos fazer o seguinte? Porque você não tenta relaxar com o remédio e depois partimos para Lauterbrunnen ver sua mãe. Tenta se tranquilizar meu amor.Ela o olhou com aquela frase tão doce, quase sem acreditar. Emma achou mesmo que Théo só a estava tratando com tanta doçura por causa de sua perda. Voltou a pen
Capitulo 9A escolhidaEmma não pôde ir a Lauterbrunnen de nenhuma maneira. Ate porque se fosse, não poderia visitar sua irmã na UTI. Também não podia visitar a avó, na clinica pois era proibido. A irmã Weber preferiu ficar no chalé de Théo, mas sabendo que precisava ir em casa. Havia muitas coisas a serem feitas lá, limpar panelas, jogar comidas da geladeira fora, pegar roupas, era imperativo ir em casa mas Emma se sentia tão mal de voltar na casa que ia pedir a Théo para ir com ela, mas deveria esperar até as dezoito horas, quando ele saía do plantão na clínica.Théo estava mais preocupado e confuso conforme se aproximava o dia de ir embora. Ele sabia que precisava ir, para começar sua residência em cirurgia geral e seguir sua vida. Ele não fazia ideia de como estava a situaç
Capítulo 8Edelweiss, talismã do amorA casa das Weber estava mergulhada em uma atmosfera de pesar e doença. Théo entrou no quarto das moças e encontrou Hanna ardendo em febre na cama, toda coberta. Os cabelos da ruiva estavam ensopados de suor. Ele pediu que Emma esperasse o tempo todo lá fora e que usassem máscara dentro de casa também. As duas saíram e foram fazer uma sopa para Hanna.- Mamãe, a senhora realmente acredita que Hanna está doente ou só está nos manipulando? - Perguntou Emma cortando cenouras.Eléa a olhou confusa. Muitos pensamentos se passaram por sua cabeça. Hanna tinha um passado, sempre foi a protegida do pai, sempre foi a problemática na escola, sempre mentia o tempo todo e ela, como mãe, não sabia o que podia ter causado o começo desse comportamento da filha. Uma vez l
Capítulo 7O feitiço se volta contra o feiticeiroApós Emma colocar a oferenda na tigela do lado de fora, entrou e ficou olhando para Théo. Os dois se olharam, sérios, por muitos minutos até que Emma foi até ele e o beijou. O brasileiro retribuiu ao beijo e a abraçou levando Emma até a cama. Não se desgrudaram mais. Aquela noite foi tórrida, romântica e avassaladora entre eles. Emma estava completamente apaixonada pelo brasileiro e queria que ele pudesse ficar, embora sabendo que era impossível para ele. As dúvidas de ambos começaram a surgir no final do momento de amor.- Théo, o que eu vou fazer quando você for? - Ela acariciava o peito dele deslizando o indicador por todo o tórax, apreciando o corpo definido do médico por anos de academia.Ele a olhou e abriu um sorriso triste, com o olhar t&atil
Capítulo 6O julgamento de EmmaEra manhã e Théo já levantou procurando seu celular. Assim que viu Hanna sentada tomando café à mesa sozinha, o brasileiro dirigiu-se imediatamente a ela.- Me dá meu celular - Falou baixo depois de ver Eléa batendo tapetes do lado de fora para retirar a poeira.Hanna mastigava o pão e olhava para ele com displicência.- Eu não peguei seu celular.Théo puxou uma cadeira e se sentou a olhando.- Hanna, eu não sei quando você se transformou nesse monstrinho manipulador, eu não sou da família, mas espero que um dia amadureça e perceba como sua irmã te ama e pare de ser essa garota egoísta e invejosa...- Eu não dou a mínima para o que você pensa sobre mim, vai lá foder minha irmã, foi tão boa a noite n&
Capítulo 5No amor e na guerra, vale tudoA tarde daquele dia, um sábado, Emma decidiu procurar a fechadura entre as coisas de Hanna e só conseguiu isso dizendo que estava cansada de buscar Théo na floresta e que iria dormir a tarde. Emma sabia que corria o risco de ser pega, portanto, trancou a porta do quarto. A ruiva revirou as coisas de Hanna em sua cama, embaixo dela, no criado mudo ao lado da cama e em seu armário. Lá estava, enrolada em roupas limpas, a fechadura do quarto de Théo. Emma não conseguia imaginar em que momento sua irmã tinha feito aquilo, mas foi logo depois da chegada do brasileiro a sua casa. Porém para que não restassem dúvidas nele, Emma chamou Théo para ir ao quarto esperando a hora em que ele passasse para ir ao banheiro. Certificou-se de que era realmente ele através das passadas mais pesadas. Emma abriu a porta e Th&





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