O flagra p/2

Ela sempre teve aquele tipo de comportamento passivo, deixando que outras pessoas comandassem sua vida. Acreditava que tudo o que acontecia era para o seu bem, mas agora, diante daquela cena, percebeu o grave erro que cometera.

O homem colocou o roupão na cunhada em uma tentativa de esconder a nudez dela, um gesto de proteção que pareceu dolorosamente cavalheiro. Ele nunca fora assim com Madison; na verdade, sempre a tratara de forma rude, e ela não conseguia evitar a comparação.

Cesare esboçou um leve sorriso de satisfação ao perceber como a esposa evitava reagir ao conflito. Aquilo o agradava profundamente, embora não estivesse feliz com o casamento. Agindo de maneira cínica e natural, ele vestiu a calça do terno e a camisa.

— Bom, agora que já temos tudo esclarecido... esposa, esta aqui é a minha amante. — Ele disse aquilo com tanta naturalidade que ficou surpreso quando um jarro quase o acertou.

Foi preciso que ele se esquivasse mais algumas vezes enquanto Madison reagia como uma pessoa normal pela primeira vez. Sem as amarras que o pai usara para criá-la, sem a pompa e o fingimento de que tudo estava sempre perfeito, ela agarrou a veste quase transparente que a irmã usava e a rasgou com violência.

Quando sentiu as mãos dele em seu corpo tentando controlá-la, Madison não se conteve. Esbravejou e lutou, despejando tudo o que guardara no coração.

— Você é um porco, Cesare. Me solta! — gritou a plenos pulmões.

— Você precisa se acalmar! — ele disse, soando entediado.

— Por quê? — Ela jogou o corpo para trás com força, desfazendo o penteado detalhado. A coroa caiu no chão, tilintando com o impacto.

— Porque eu a traí? Precisa de um motivo? — Ele continuou com o mesmo cinismo de sempre. — Você sabe que o nosso casamento foi forçado. Eu não te amo.

Ele gemeu de dor ao sentir uma cotovelada entre as costelas e finalmente a soltou. Levou as mãos à altura dos rins enquanto absorvia o impacto. Cesare não antecipara aquilo; Madison sempre fora a "doce garota de gelo", a obediente que nunca se abalava.

— Você disse que me amava! — ela afirmou, quase como um escárnio.

— Eu digo isso para todas elas, meu amor. É o que os caras dizem quando as querem em suas camas. O que você esperava? Não pensei que acabaria me casando. Você mal saiu das fraldas, sequer sabe fazer amor.

Madison encarou aqueles olhos claros e cristalinos. O homem era realmente lindo, mas nunca prestara. Lembrou-se das vezes em que ele pulara o muro do internato esperando que ela fizesse dezoito anos para deflorá-la. Como fora inocente. Um homem de vinte e oito anos não faria aquilo por amor. Por que ninguém a alertara?

— Eu achei que você gostasse disso — ela chorou alto, os lábios vermelhos trêmulos.

— E eu gosto — ele se aproximou. — Adoro fazer amor com você e te ensinar. Mas vamos ser sinceros: um homem precisa de ação de vez em quando. Papai e mamãe às vezes é muito chato.

Madison soluçou ainda mais com aquelas palavras.

— Eu vou sumir da sua vida, Cesare Santorini.

— Não, meu amor. Você não vai. Não pode ir a lugar algum. Você me pertence agora e as coisas serão como eu quero.

— Você vai me acorrentar à cama? Sabe que é a única forma de me manter aqui.

— Se for preciso, sim. O seu pai me mataria se soubesse de tudo isso.

Sara escutava tudo aquilo e sentia-se ofendida. Cesare também jurara amor a ela. Tentou escapar de fininho do quarto.

— Você! Você não vai a lugar nenhum — Madison disse, apontando para a irmã.

— E é você que vai me impedir? — Sara demonstrou desprezo ao analisá-la de cima a baixo.

— Sara, não fale mais besteiras. É melhor você sair — interveio Cesare.

— Por quê? Você se importa tanto em perder a esposinha? A minha irmã é uma mosca morta.

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