Helena apertou o volante até que os nós de seus dedos ficassem brancos, o couro sintético rangendo sob sua palma suada. O ar condicionado do carro havia parado de funcionar há duas cidades, mas o frio que subia pela sua espinha não tinha relação com o clima. Era a sensação de estar cruzando um limiar invisível, uma fronteira entre o mundo que ela conhecia e algo que ela apenas conseguia pressentir no tremor persistente de seus próprios lábios.
Ela olhou pelo espelho retrovisor, metade esperando