CAPÍTULO 4

Penny

Não é tão fácil como eu pensei que seria. Manter distância de Tony é, mais do que nunca, uma medida de segurança. À princípio eu não achava que poderia levar em tempo integral o estilo de vida que ele me apresentou por vários motivos. Desde o fato de ele não ter feito efetivamente uma proposta de namoro até a impossibilidade de conseguir manter uma relação nesses termos a longo prazo. Isso vai de encontro a tudo que eu acredito. Eu não sou assim e nem posso me tornar uma submissa para Tony ou para qualquer outro.

Depois da fotos, isso foi muito além de não querer me submeter a esse estilo de vida. Agora é uma questão de preservação e segurança. Eu não pretendo voltar a pisar naquele clube nunca mais. Não depois de tudo. E eu não quero ter a minha vida exposta seja ela baunilha ou não. Eu sei que ter uma relação com Antony vai me trazer todo esse tipo de aborrecimento que namorar uma pessoa pública traz. Ele é apenas o dono da maior empresa de telecomunicações do país. Isso sem falar em todos os outros empreendimentos que ele possui. Antony aparece em jornais e revistas, em canais de televisão e sites de celebridades. Eu, definitivamente, não tenho um problema em aparecer em nada disso, ainda mais tendo a minha profissão, mas desde que não seja a minha vida lá exposta.

A manhã estava perfeita. É como se, depois que Antony apareceu se intrometendo no meu passeio, as nuvens tivessem se retirado e o sol brilhasse mais forte. Assim, quando retornamos para a casa e encontramos com os outros para o café da manhã, decidimos fazer um passeio à cavalo dessa vez e eu adorei o fato de Antonella vir conosco. Então Antony não teria outra alternativa a não ser manter as mãos longe de mim. Giovanna foi proibida de participar por conta da gravidez e os pais Mazza e Greco se decidiram por um passeio a pé pela vinícola. 

Depois da luta que foi conseguir controlar as rédeas do meu cavalo, visto que eu não era uma exímia amazona, eu e Tony quase não interagimos um com o outro. Antonella estava muito falante, de modo que ela monopolizou todas as atenções. Mas eu passei toda a manhã bastante consciente da sua presença.

Tony pretendia voltar para a cidade logo após o almoço, de modo que não demoramos muito em nosso passeio. Dois funcionários da vinícola nos aguardavam e guardaram os cavalos quando retornamos do passeio. Eu e Antonella entramos na casa ainda rindo e comentando da minha performance sobre o cavalo e Antony vinha logo atrás de nós. A conversa morreu no instante em que vozes exaltadas vieram do andar superior.

- E isso lá tem alguma explicação. Como é que você faz uma coisa dessas comigo, Giovanna. PORRA! Eu não acredito. – Era a voz de Matteo como eu jamais tinha ouvido.

- Não fala assim comigo. – Respondeu Giovanna chorosa.

Eu sequer pensei. Minhas pernas subiram as escadas com uma rapidez imaginável pra mim que nunca tive uma veia atlética e num instante eu estava na porta do quarto de Giovanna.

- Não falar assim com você? Eu quero... Arrrg. Foda-se isso. Eu não aguento nem olhar pra você agora. Eu olho pra você e tudo que eu consigo pensar é no quanto você é dissimulada e no quanto eu sou um trouxa do caralho! Eu sou muito idiota mesmo por que... Deus!

Sem me deter eu invadi o quarto e só então percebi que Tony e Antonella estavam no meu encalço. – Que porra é essa? – Ataquei – Por que você está gritando com minha amiga, seu idiota. – eu queria envolver as minhas mãos em volta do pescoço dele e apertar.

- Fica fora disso... – ele rosnou pra mim, mas de repente parou, seu tom mudando completamente para um sarcasmo cortante – Não, vocês devem ter dado boas risadas juntas, não é. Aliás, todo mundo deve saber por que como sempre eu sou o único que não sabe de nada nunca. – Então ele voltou pra Giovanna – Esse filho é meu mesmo?

- O quê? – Giovanna era um misto de raiva e indignação.

Matteo abriu os braços e encolheu os ombros com deboche – Ué! Por quê? Esse filho bem que podia ser do meu irmão. Não é assim? Vocês fodem com a minha vida enquanto fodem com o meu irmão. Vamos fazer uma porra de exame de DNA e não se preocupe por que se for dele, ele tem tanto dinheiro quanto eu tenho.

Eu estava em cima dele antes mesmo que ele terminasse a última palavra. Eu o bati de todas as maneiras possíveis e imagináveis. Eu nunca quis matar tanto alguém como eu queria matar Matteo naquele momento. Eu não sou uma pessoa violenta, mas eu não tenho certeza de que poderia me conter se eu tivesse uma arma naquele momento. Finalmente eu entendi a moral das campanhas para o desarmamento. Qualquer é capaz de qualquer coisa com muita raiva e uma arma em mãos. Matteo era indiscutivelmente mais forte do que eu, então não foi difícil para ele consegui conter os meus braços. Então eu usei o que tinha disponível. Eu o agredi verbalmente com todas as palavras que eu poderia lembrar.

Braços fortes me envolveram por trás, mas eu estava com muita raiva para parar. A única coisa que me deteve foi um olhar pra Giovanna. Ela estava quebrada e, de repente ela secou as lágrimas e olhou para Matteo com um ódio que eu nunca vi em seu rosto. Mas ela não gritou. Sua voz era apenas um sussurro quando ela deu dois passos na direção dele e disse o inesperado – Era tudo o que eu queria agora. Que esse filho não fosse seu e que fosse do seu irmão ou de qualquer homem na face da Terra. Por que ele, diferentemente de você, seria incapaz de uma coisa dessas. E quanto ao exame... Bem, foda-se! Eu não quero a droga do seu dinheiro. Eu não quero nada de você. Agora, se você tiver a bondade de me deixar em seu quarto por cinco minutos eu vou sair e devolvê-lo a você.

Matteo não discutiu. Não se defendeu, nem demostrou arrependimento. Ele apenas saiu do quarto e nos deixou completamente perplexos.

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