Mundo de ficçãoIniciar sessão- Você está bem? – Antony perguntou a Giovanna.
Ela só acenou a cabeça em resposta. Em seguida, olhou pra mim – cuide dela. Eu volto. – E saiu nos deixando para trás completamente atônitas. Eu sabia que ele iria atrás de Matteo.
- Giovanna, o que aconteceu – Ela olhou pra mim e depois para Antonella. De repente alcançou um livro e nos mostrou. – Eu olhei pra ele e tentei entender o que ela queria dizer com aquilo.
- Esta sou eu – ela respondeu a minha pergunta silenciosa e demorou algum tempo para que eu entendesse finalmente o que ela queria dizer. – Você quer dizer... Gi? A autora? – ela acenou lentamente a cabeça. Foi um movimento tão sutil que por um instante eu pensei que ela não tinha feito. Mas então sua voz ratificou.
- Sim. Eu sou a Autora Gi. Eu escrevi todos aqueles livros...
- Esse... – não precisei terminar.
- Esse é o livro que ainda vai ser lançado.
- Puta merda! Você é ela. Meu Deus, eu sou a maior fã dela, quero dizer, sua. Oh! Meu Deus esse livro... é o...
- ... primeiro exemplar – ela completou.
- Oh! Meu Deus. – Antonella finalmente conseguiu dizer alguma coisa – Oh! Meu Deus. Deus! Isso... Certo. Eu sei que estou soando repetitiva. Desculpe. – Pelo próximo minuto eu e Antonella quase brigamos uma com a outra pela posse do livro, então, olhamos para Giovanna e lembramos o motivo de tudo isso.
- Eu sinto muito – Deixei o livro para Antonella e abri os braços para ela, que se aconchegou e soluçou enquanto o pranto era drenado. Alguns minutos depois os pais de Giovanna chegaram e vendo que ela não tinha ânimo para ter que contar toda a história novamente, eu me encarreguei disso, enquanto Antonella a ajudava a fazer as malas. Ela queria sair o quanto antes e assim foi. Eu decidi não esperar por Tony. Apenas fui embora com os pais de Giovanna, depois de nos despedirmos dos pais de Tony. Antonella havia se encarregado de coloca-los a par de tudo. Não havia muito o que dizer além de uma série de “sinto muito” de todos os lados.
A volta pra casa foi em silêncio. Uma verdadeira tortura levando em conta o tempo de viagem. Uma pequena discussão se seguiu quando chegamos à cidade, pois os pais de Giovanna queriam leva-la para a casa deles e ela queria voltar comigo para o nosso apartamento. Ninguém queria contrariá-la. Então, eles nos deixaram na nossa casa.
Tentei cuidar dela da melhor maneira que eu pude. Provendo tudo que foi necessário para que ela ficasse confortável e evitei o assunto “Gi” por que eu sabia que não era o momento. Embora, eu não acho que eu tenha conseguido disfarçar a minha euforia por descobrir que a minha melhor amiga era também a minha escritora favorita. Um sucesso! Deus, eu queria ler o livro novo.
Giovanna queria ficar sozinha, então eu a deixei e fui para o meu quarto desfazer a minha mala e descansar. Depois de tudo pronto e de tomar banho, peguei o meu telefone e me deitei. Havia 9 chamadas não atendidas e uma série de mensagens de texto. Uma das chamadas era da minha mãe. Mas todas as demais era de Tony. Eu estava prestes a olhar as mensagens de texto quando o telefone vibrou na minha mão.
- Tony?
- Finalmente atendeu. Eu estava preocupado.
- Eu estava cuidando de Giovanna e o meu telefone estava no modo silencioso – por que eu estava mesmo dando satisfação a ele?
- Como ela está?
- Arrasada. Mas ela não está falando comigo.
- Dá pra acreditar? Pela manhã eles estavam apenas enjoativos durante a refeição matinal. Depois teve aquele pequeno desentendimento por que ela queria cavalgar e ele não deixou, o que é compreensível. Então, isso não seria motivo para o que nós assistimos naquele quarto. Agora eles estão separados e se odiando. Eu juro pra você... isso não entra na minha cabeça.
- Você sabe que isso nada teve a ver com o fato dele não deixar que ela cavalgasse.
- Eu sei. Ele me disse. Ela é aquela escritora que está fazendo o maior sucesso não só aqui, mas no mundo todo. Há boatos de que querem produzir um filme baseado em um dos livros que ela escreveu.
- Meu Deus! Eu sei – falei eufórica – Dá pra acreditar? Eu sou apenas a maior fã dela e ela é a minha melhor amiga.
- Você não sabia?
- Minha nossa! Eu não tinha ideia. Estou... chocada. Não sei como lidar com isso. Quero falar com ela a respeito, mas não sei se posso. Ela... quer distância.
- Você está magoada – não era uma pergunta.
- Sim. Eu estou. Quero dizer, ela é a minha melhor amiga. Estamos sempre aqui uma pra outra. Ele teve um monte de oportunidade pra me contar, mas não fez. Eu me sinto... traída.
- É assim que Teo se sente.
Uma onda de raiva atravessou o meu corpo – Nem me fale nesse desgraçado. Eu quero mata-lo.
- Eu sei.
- Tony, não importa o quão zangada eu esteja com Giovanna, eu jamais vou trata-la da maneira que Matteo fez. Ele foi estúpido e agressivo. Eu odeio ele agora.
- Não estou defendendo-o, Penélope. Eu mesmo estou muito puto com ele. Giovanna está grávida, do filho dele e mesmo assim ele... Deus! Ela podia ter perdido o bebê. Foi uma cena terrível. Mas o que eu quero dizer é que é compreensível que ele esteja se sentindo traído. Ele foi enganado pela ex-esposa durante anos. Nossa família sabia e escondeu isso dele todo esse tempo até que Alícia soltou a bomba pra ele recentemente. Quando finalmente ele encontra alguém que ele julga confiável o suficiente ao ponto dele se envolver de novo sem medo de ser decepcionado... então acontece isso. Ele passou a conta, sem dúvidas, mas eu posso entender. Eu não sei o que você sabe, mas... não foi só a mentira. Tem mais coisa aí.
- O quê?
- Bem, ela se correspondia com ele todo esse tempo no F******k e ela sabia quem ele era.
- Minha nossa!
- Imagina como você iria se sentir.
Um longo silêncio se seguiu. – Penny, você ainda está aí?
- Sim.
- Quero ver você.
- Tony, não comece. Já tivemos essa conversa. Eu preciso ir. Estou exausta.
Ele suspirou – Ok. Descanse, menina bonita. Vejo você depois.
Depois que a chamada foi terminada, fiquei um longo tempo pensando a respeito. Era inacreditável.







