Mundo de ficçãoIniciar sessãoTony
Eu tinha 9 anos quando fugi de casa no meio da noite e caminhei três quadras até a casa de Nínive. Ela tinha a mesma idade que eu e era uma pequena encrenqueira. Ela era nova na escola e desde o primeiro dia de aula eu estava determinado a fazê-la sentir-se bem recebida. Eu realmente era um bom garoto, era um bom aluno, mas minha preocupação com a boa receptividade em relação a minha nova amiga nada tinha a ver com o pedido da professora. Eu queria que ela se sentisse bem por que eu gostava dela. Eu trabalhei nisso por longos meses, mas a verdade é que eu não precisava ter feito tanto. Nínive era excepcional e todos a amaram de pronto. Eu não saberia dizer se era por causa da sua autoconfiança ou pelo seu espírito de liderança, mas o fato é que ela não precisava de mim, da minha ajuda ou da minha proteção. Mas eu não compreendia à época.
Numa manhã, eu fiz o que vinha ensaiando por longos meses. Eu disse que ela era minha namorada. Não foi um pedido, mas um comunicado. Talvez a minha veia dominadora já tivesse despertando nessa época... Bem, ela não me disse sim, nem não. Disse-me apenas que queria me encontrar aquela noite em frente à sua casa. Eu não a questionei.
Passava de uma hora da madrugada quando eu consegui ultrapassar os portões da mansão em que eu morava com a minha família e caminhar em direção à casa dela. Eu não tinha a opção de chamar um táxi ou pedir para um dos motoristas me levarem. Um táxi não me levaria à lugar algum sem a presença de um responsável e tampouco os motorista. Meus pais estavam em algum evento social e eu não bancaria o covarde chamando Matteo para ir comigo. Bem, o fato é que eu fui sozinho. Durante todo o percurso, a sensação que me tomou foi esmagadora. Uma apreensão e uma certeza de que algo muito ruim estava prestes à acontecer. Meu estômago embrulhou, minha boca estava seca e meus batimentos cardíacos estavam muito acelerados. Eu os podia sentir nos ouvidos e garganta. A noite era fria, mas eu estava suando. A sensação piorava a cada passo que eu dava em direção a casa de Nínive e longe da minha casa e mais ainda quando um carro se aproximava. Eu esperei o pior cada passo do caminho... foi angustiante. A sensação de alívio percorreu o meu corpo quando, à poucos metros da sua casa eu vi sua pequena silhueta em uma janela do primeiro andar. Ela estava realmente me esperando. Quando me aproximei um pouco mais ela se afastou da janela e eu não podia mais vê-la. Esperei, pois imaginava que a qualquer momento ela sairia de casa e viria ao meu encontro. Afinal, ela me pediu que estivesse ali... Uma hora. Este foi o tempo que eu fiquei em frente à sua casa, sozinho, de madrugada e no frio esperando Nínive aparecer. Eu não poderia tocar a campainha, sem dúvidas seus pais não faziam ideia de que eu estava ali e com certeza, a primeira coisa que eles fariam seria chamar os meus pais e então eu estaria em apuros.
Todo o alívio que eu senti quando a vi em sua janela desapareceu e a velha apreensão retornou. Quando eu finalmente entendi que ela não viria, dei meia volta e caminhei em direção a minha casa sem olhar para trás. Eu sequer tive tempo para lamentar o que ela tinha feito. Estava muito ocupado sentindo ansiedade e medo. Acho que são as piores sensações para se ter. É horrível conviver com isso. Eu nem sequer posso começar a imaginar com é a vida de uma pessoa que tem a síndrome do pânico. Imagine viver com medo de algo que você não sabe o que é. Esperando sempre algo ruim acontecer... Não deve ser nada fácil.
Meu estômago embrulhou, minha boca estava seca e meus batimentos cardíacos estavam muito acelerados. Eu os podia sentir nos ouvidos e garganta. Os mesmos sintomas de quando eu tinha nove anos voltaram quando Penélope me entregou aquelas fotos. Passou apenas um instante antes que eu pudesse me apropriar do meu próprio corpo e afastar os sintomas. Eu não era mais um garoto de nove anos de idade. Eu tinha um trabalho a fazer que era eliminar a ameaça sobre a cabeça de Penélope, sobre as nossas cabeças. Resolver o problema.
As duas últimas noites foram um tormento. Aliás, todas as noites desde que Penélope me afastou têm sido um tormento, mas agora que ela está a apenas algumas portas de distância é bem pior. Eu quero vê-la o tempo todo, mas mantenho distância, por mais difícil que seja fazê-lo. Mesmo que as pequenas discussões simuladas que nós temos na presença das pessoas sejam divertidas, tudo o que eu quero é toma-la em meus braços e sentir o seu gosto em minha boca... Porra! Isso está me matando. Isso não estava no script quando a convidei para ser a minha submissa da vez. Mas é como se eu estivesse viciado. Gosto de vê-la, mesmo de longe, quando não posso tocá-la. Sigo-a nas redes sociais para saber o que ela tem feito, para ver suas fotos e seus vídeos, suas opiniões enérgicas sobre temas variados. Foda-se! Eu a sigo na vida real através dos seguranças que contratei para ela. Eu estou fodido.







