Capítulo 6
Ana soltou uma risada de escárnio, com a voz extremamente calma:

— Aquilo não era sangue de porco.

Victor ficou em silêncio por um instante e, em seguida, explodiu:

— Você não tem limite, é isso? A empregada Dirce disse que era sangue de porco. Ela cozinha todo dia, acha que ela ia se enganar? Já troquei a fechadura. Não volte mais. Vai para onde quiser.

Ana interrompeu:

— Espera.

Victor disse:

— Agora já é tarde pra pedir desculpa...

Desta vez, Ana não deixou Victor continuar:

— Hoje eu vou buscar minhas coisas e sair. Não precisa trocar a fechadura. Desta vez, eu não volto.

Victor ficou em silêncio novamente e soltou um riso frio:

— Te dou um dia.

E desligou.

A assistente se apressou em dizer:

— Sra. Ana, o seu estado é muito grave, você não pode ter alta. Quer que eu vá buscar suas coisas?

Ana balançou a cabeça:

— Você não sabe o que eu preciso levar.

Mais exatamente, o que precisava descartar.

Ela arrancou o acesso do soro, voltou para casa e começou a separar os próprios pertences.

O que dava para queimar, ela queimou. O que não dava...

As presilhas que ele tinha dado de presente de aniversário, o colar do aniversário de noivado...

As pulseiras e os artigos de luxo que Victor tinha dado ao longo dos anos, em diferentes datas comemorativas, tudo foi embalado junto.

Por último, vieram os presentes que ela tinha dado a Victor.

Victor era sempre descuidado, vivia perdendo coisas.

Depois que passaram a morar juntos, os objetos importantes dele também ficaram sob os cuidados dela.

Ana colocou na mesma caixa o álbum de fotos que havia preparado com tanto carinho, o relógio que comprou juntando salário por anos, o copo de cerâmica que ela mesma moldou para ele.

Quando terminou, naquela casa onde tinha vivido por cinco anos, não restava mais nenhum vestígio dela.

Ela saiu levando as caixas e entregou, de forma despreocupada, tudo aquilo que um dia fora tão importante para ela a moradores de rua na calçada.

Estava prestes a dirigir de volta ao hospital quando recebeu uma ligação:

— Srta. Ana, o par de alianças que você encomendou já está pronto. Você teria tempo de vir ver? Ou prefere que entreguemos no seu endereço?

Ela e Victor tinham marcado o casamento para este ano.

Ansiosa, Ana foi conversar pessoalmente com o designer, definiu o desenho das alianças e as encomendou de uma empresa estrangeira para confecção artesanal.

Mas, antes mesmo de as alianças ficarem prontas, Larissa havia voltado.

Para Ana, eram apenas duas alianças sem significado algum. Não valia a pena dar trabalho aos funcionários.

Ela foi buscar as duas pessoalmente e, sob o céu noturno, dirigiu de volta ao hospital.

De repente, fogos de artifício explodiram no céu, coloridos e deslumbrantes, fazendo inúmeras pessoas pararem para assistir.

No telão de um shopping por onde passou, surgiu a imagem de Victor.

Ele segurava uma caixinha de anel, com um olhar profundo e apaixonado:

— Larissa, ficamos separados por tanto tempo e finalmente nos reencontramos. Esta noite, mandei soltar fogos para você. Você aceita este anel e me dá uma chance? Eu sei que você quer a patente da VA. Eu vou conseguir isso para você. Quando chegar a hora, promete atender um pedido meu, tudo bem?

As pessoas ao redor gritavam, emocionadas com aquela cena romântica.

VA era a empresa que Ana havia fundado dois anos antes.

Antes, tudo o que Victor queria, desde que ela pudesse oferecer, ela entregava sem hesitar.

Mas agora... Ana sorriu com amargura.

Quando o carro atravessou a ponte, ela jogou no rio o par de alianças que tinham custado tanto esforço e dinheiro.

Ela estava prestes a deixar Sol Nascente e desaparecer por completo do mundo de Victor.
Continue lendo este livro gratuitamente
Digitalize o código para baixar o App
Explore e leia boas novelas gratuitamente
Acesso gratuito a um vasto número de boas novelas no aplicativo BueNovela. Baixe os livros que você gosta e leia em qualquer lugar e a qualquer hora.
Leia livros gratuitamente no aplicativo
Digitalize o código para ler no App