Ana voltou para o hospital.
Logo em seguida, o telefone tocou. Era vovó Medeiros:
— Ana, o Victor passou de todos os limites dessa vez! Acabei de ligar para ele e dei uma bronca! Não leva isso a sério, por favor.
O coração de Ana não teve a menor ondulação; ainda assim, ela a confortou:
— Não tem problema. Ele gosta da Larissa, todos nós sabemos disso.
Vovó Medeiros suspirou:
— O Victor não me escuta. Um dia ele ainda vai se arrepender.
Ana não respondeu.
Vovó Medeiros voltou a perguntar:
— Daqui a alguns dias é o meu aniversário. Você vem, não vem?
Ana disse:
— Claro. Depois de comemorar seu aniversário, eu vou embora.
Vovó Medeiros continuou:
— No dia seguinte ao meu aniversário é o aniversário do Victor. Todos os anos você esteve com ele...
Ana respondeu com calma:
— Agora ele tem alguém com quem quer passar o aniversário. Mesmo que eu quisesse, ele não me receberia. Ele e eu já tomamos nossas decisões. Deixa pra lá.
Vovó Medeiros percebeu que Ana não voltou a chamar Victor pelo nome em momento algum.
Ela não insistiu mais e desligou.
Antes de encerrar a ligação, Ana ainda ouviu o suspiro dela, dizendo que Victor certamente se arrependeria no futuro.
Se Victor se arrependeria ou não, Ana não sabia.
Mas de uma coisa tinha certeza: ela não se arrependeria.
Depois de receber alta, Ana continuou organizando a transição do trabalho, e os dias passaram rápido.
Na véspera do aniversário de vovó Medeiros, ela concluiu toda a entrega das responsabilidades do Grupo Medeiros.
No dia seguinte, Ana foi sozinha à festa de aniversário de vovó Medeiros.
Victor chegou acompanhado de Larissa.
A maioria dos convidados era formada por parentes e amigos de Victor, além de alguns poucos empresários.
Todos sabiam do noivado entre Ana e Victor.
Ao ver Victor levar, sem pudor, outra mulher para conhecer a família, olhares estranhos recaíam sem parar sobre os três.
Ana sabia que, depois daquela festa, deixaria Sol Nascente.
Permitiu que a observassem à vontade, sem qualquer abalo.
Victor, porém, não suportou aqueles olhares.
Ele avançou e arrancou o microfone das mãos do mestre de cerimônias:
— Eu quero desfazer o noivado com a Ana!
O sorriso no rosto de vovó Medeiros desapareceu.
O semblante de Francisco também se fechou.
Victor cerrou os punhos:
— Eu finalmente esperei a Larissa voltar! Ninguém vai nos separar! Se tentarem, eu me mato!
Um silêncio chocado tomou conta do salão.
Com o rosto sombrio, Francisco disse:
— Absurdo! Hoje é o aniversário da sua avó. Você não tem nenhum respeito por ela?
Victor, cheio de ressentimento, retrucou:
— Vovó, a senhora não quer que eu seja feliz? Não é melhor desfazer o noivado aqui e agora e me deixar ficar com quem eu amo?
Vovó Medeiros olhou para Ana:
— O que você acha?
Ana respondeu, em voz baixa e serena:
— Ele decide.
O salão explodiu em murmúrios.
Por um instante, a expressão de Victor se tornou complexa; logo depois, ele disse, animado:
— Vovó, a Ana concordou!
Vovó Medeiros conteve Francisco, que estava prestes a se exaltar, e, com um sorriso contido, disse:
— Está bem. Eu permito. A partir de hoje, o noivado entre você e a Ana está encerrado.
A primeira reação de Victor foi olhar para Ana.
Ela devolveu um sorriso tranquilo, como uma bênção silenciosa.
Ele, porém, franziu o rosto, lançou um olhar irritado para ela e se virou para sorrir e conversar com Larissa.
Em seguida, Ana entregou o presente, deu as costas e saiu, entrando no carro que levaria Ana ao aeroporto.
O celular vibrou.
Ana abaixou a cabeça e viu mensagens de Victor:
[Até que enfim você teve bom senso! Pelo que aconteceu nesses dias, não vou discutir com você. Amanhã é meu aniversário, você pode vir. O que preparou de presente pra mim?]
[Ana, o que deu em você? Te elogiei e você já se achou demais? Responde logo!]
Ana não respondeu. Bloqueou todos os meios de contato de Victor.
Sem olhar para trás, passou pela segurança e embarcou no avião que a levaria para bem longe.