Capítulo 5
Ana abaixou os olhos.

Era estranho: ela não se sentia triste.

Apenas se lembrou de quando era criança e foi injustamente acusada por Yasmin.

A mãe deu um tapa nela, e Victor correu para a frente, protegendo ela:

— A Ana nunca bateria em ninguém! Ela é muito boazinha!

Naquela época, Victor acreditava nela sem hesitar.

Mas agora... ele já não tinha nem essa mínima confiança.

Victor sentiu uma inquietação inexplicável.

Afastou aquele sentimento estranho e encarou Ana:

— Peça desculpas.

Ana não resistiu. Virou o corpo na direção de Yasmin e disse:

— Desculpa. Eu não devia ter batido em você.

Yasmin, de costas para Victor, exibiu um sorriso de deboche:

— Fica parada e deixa eu te bater duas vezes. Aí a gente encerra isso.

Tanto Yasmin quanto Victor acreditavam que Ana não aceitaria.

Mas, de cabeça baixa, Ana respondeu com calma:

— Tudo bem.

O incômodo de Victor só aumentou.

Ele odiava aquela sensação e puxou Larissa, apressando ela:

— Está muito frio aqui fora. Vamos entrar logo!

Ele e Larissa deram as mãos e caminharam em direção à mansão.

Yasmin se aproximou e desferiu cinco socos violentos no abdômen de Ana.

O rosto de Ana ficou pálido. Ela disse, com a voz fraca:

— Assim está bom?

Yasmin caiu na gargalhada:

— Dá pena de você, vou te poupar. A Larissa já se mudou pra cá. O Victor não te quer mais. Quando ele quiser, você sai dessa casa.

Ela saiu rindo.

A agressão fez a gastrite de Ana atacar novamente. A dor era intensa.

Ao voltar para o quarto, ela tomou o remédio e foi se deitar às pressas.

No meio da madrugada, acordou com uma dor lancinante, sentou de repente e acabou vomitando uma grande quantidade de sangue.

Com dificuldade, ligou para o médico e começou a se preparar para ir ao hospital.

Ao sair do quarto, viu que a porta da suíte principal estava entreaberta. A luz escapava por ela, acompanhada de sons íntimos de um homem e de uma mulher.

Desde que Larissa tinha se mudado, Ana já vinha se preparando psicologicamente.

Mas, ao ver aquilo de verdade, ela não sabia se doía mais o corpo ou o peito.

Para descer as escadas, precisava passar pela porta da suíte.

Ela respirou fundo e seguiu devagar.

De dentro, veio a voz rouca de Larissa:

— Parece que a Ana está na porta...

A voz de Victor vinha carregada de desejo contido:

— Ela deve ter algum problema mental! Não liga pra ela! Eu quero você...

Quando a dor chega ao extremo, ela se transforma em dormência.

Ana passou rapidamente pela suíte, desceu as escadas, entrou no carro e foi para o hospital.

Ela teve uma hemorragia gástrica grave e precisou ser internada.

O médico pediu que alguém ficasse com ela, mas, ao pegar o celular, Ana não sabia para quem ligar.

Quando aceitou o noivado com Victor, a mãe achou que ela queria usar isso para enfrentar a família Azevedo.

Disse que, se Ana não desfizesse o noivado, consideraria que não tinha mais filha.

Se fosse antes, bastava ligar para Victor e ele apareceria.

Mas agora, tudo havia mudado.

No fim, Ana ligou para a própria assistente, ofereceu mais dinheiro e pediu que ela fosse acompanhar ela.

Depois que o remédio fez efeito, Ana finalmente adormeceu, mas foi acordada pelo toque do celular.

Era Victor ligando.

Ana atendeu.

Ouviu a voz abafada de Larissa:

— Victor, fala direito, não fica bravo. A Ana só fez isso porque te ama demais.

Em seguida, a voz de Victor veio clara:

— Ana, você é psicopata? Levantar no meio da noite pra espiar a gente transando já não basta, ainda foi lá e espalhou um monte de sangue de porco no quarto pra assustar todo mundo! Se continuar com essas palhaçadas, arruma as coisas e vai embora!
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