A manhã de sexta-feira em Higienópolis nasceu sob um céu de chumbo. No imenso hall de entrada do apartamento triplex de Arthur Albuquerque, o silêncio era interrompido apenas pelo som rítmico e abafado das ferramentas de dois funcionários de uma empresa especializada em transporte e instalação de obras de arte. Sob a supervisão atenta e gélida de Sofia, que usava óculos escuros mesmo dentro do apartamento iluminado, os homens desembalavam a imensa caixa de madeira reforçada e plástico bolha que