O salão de leilões da mansão dos de Carvalhal fora montado na antiga biblioteca da residência, um espaço de pé-direito duplo revestido de painéis de nogueira europeia e prateleiras repletas de tomos raros. Sob a luz focal do púlpito, o leiloeiro — um homem de meia-idade com cabelos milimetricamente prateados e a eloquência de um diplomata — ajustava o microfone com gestos pausados.
Cerca de duzentas pessoas ocupavam as cadeiras de veludo dispostas em semicírculo. O ar estava saturado pelo perfu