O som abafado dos sapatos bicolores de verniz de Sofia Albuquerque ecoava pelo piso de mármore do hall de entrada do triplex em Higienópolis. Ela não costumava anunciar suas visitas; a matriarca da dinastia Albuquerque portava uma cópia das chaves e uma autoridade natural que tornavam dispensável qualquer protocolo de cortesia familiar.
Aos sessenta e oito anos, Sofia mantinha a mesma postura ereta e o olhar perspicaz que, no passado, haviam ajudado o falecido marido a consolidar o império da h