A vida de Anna era complicada, difícil, muitas vezes ela se sentia sozinha e derrotada. Mas buscava dentro de si aquela faísca que a mantinha de pé e a esfregava mentalmente com as mãos, como se fosse uma lâmpada mágica; e, como o gênio das histórias, a faísca inflamava e aparecia para empurrá-la a continuar.
Mas naquele dia precisou passar horas esfregando a lâmpada, tinha chegado ao ponto de ruptura. Havia algum tempo juntava um pouco de dinheiro para poder fazer reparos no apartamento. O pinga-pinga constante da torneira da cozinha já lhe perfurava os tímpanos; as paredes precisavam urgentemente que tapassem buracos e nivelassem as superfícies, além de uma boa mão de tinta.
Anna, com o envelope vazio na mão, sentou-se numa cadeira e levou a outra à cabeça. Negava e negava, não conseguia acreditar. Alex a observava sem dizer nada, com aquela cara de inocente, querendo inspirar pena.
—Como você pôde fazer isso comigo? —perguntou Anna, a voz quebrada, prestes a desabar em choro. Cada