Aquele deveria ser o dia mais doloroso da vida de Maitê. Seu filho havia morrido. Como mãe, ninguém sofria mais do que ela.
Mesmo com uma perna machucada, ela insistiu em comparecer para se despedir do filho. Mas a família Ávila a expulsou do velório. Bateram nela com pedaços de madeira. Atiraram pedras. Despejaram toda a crueldade possível sobre uma mãe que tinha acabado de perder o próprio filho.
Uma pedra acertou sua testa, fazendo sangue escorrer imediatamente.
A muleta em que se apoiava também foi arrancada de suas mãos e usada para golpeá-la. Ela caiu no chão, coberta de sangue da cabeça aos pés.
— Parem! — Maurício correu até ela e a protegeu com o próprio corpo. — Vocês enlouqueceram?! A morte do Biel foi um acidente! Isso não tem nada a ver com Maimai! Quem ousar desrespeitá-la de novo não terá perdão!
Seu olhar intimidava todos ao redor. Afinal, ele era o chefe da família, o homem que detinha o verdadeiro poder. Ninguém ousava enfrentá-lo.
A multidão logo se dispersou, só então a expressão de Maurício suavizou um pouco. Ele pegou Maitê nos braços, levou-a para o andar de cima e trouxe uma caixa de primeiros socorros para tratar pessoalmente dos ferimentos dela.
No entanto, nos olhos de Maitê não havia o menor traço de emoção. Ela apenas o encarou friamente.
— Maurício, quem levou Biel para surfar no mar foi a Diana. Então, por que sua mãe disse agora há pouco que fui eu quem matou o nosso filho?
A mão de Maurício, que segurava a gaze, congelou instantaneamente.
— Maimai, você sabe que a situação da Diana dentro da família é delicada. — Com visível desconforto, ele respondeu. — Ela é filha adotiva. Todos já a rejeitam, se descobrirem que foi ela quem indiretamente causou a morte do Biel, ela não terá mais lugar nesta casa. — Ele fez uma pausa antes de continuar. — Mas você é diferente. Você é minha esposa. Enquanto eu estiver ao seu lado, ninguém ousará te desrespeitar. Então, assuma a culpa no lugar dela. Como compensação, vou transferir metade das ações do Grupo Ávila para você.
Depois de dizer aquilo, Maurício olhou para Maitê com certa apreensão, achando que ela faria escândalo, que choraria, que perguntaria por que ele sempre protegia Diana. Mas a calma dela era assustadora e fez seu coração disparar.
— Faça o que quiser. Não me importo. — Ela apenas lançou um olhar indiferente para ele.
Ela tinha concordado.
Maurício deveria estar satisfeito, mas, por algum motivo, seu coração estava cada vez mais inquieto.
— Maimai, não se preocupe. O que sinto por Diana é apenas afeto entre irmãos. — Ele tentou explicar sozinho. — Crescemos juntos. Sempre a tratei como uma irmã de verdade. Quando descobriram que ela não era filha biológica da família Ávila, ela perdeu tudo. Todos a abandonaram. Eu não podia simplesmente deixá-la sozinha também.
— Eu entendo. — Maitê baixou os olhos. — Você não precisa me explicar nada.
Só quem ama exige explicações. E agora, ela já não o amava mais. Não precisava mais ouvir nenhuma justificativa. Mesmo que naquele instante ele levasse Diana para a cama diante dela, Maitê sequer teria vontade de perguntar alguma coisa.
A irritação dentro de Maurício cresceu ainda mais. Ele estava prestes a dizer algo quando uma empregada entrou correndo, desesperada.
— Sr. Maurício! A Srta. Diana veio prestar homenagens ao Biel, mas, assim que entrou, encontrou a Srta. Clarissa e as duas começaram a brigar!
A "Srta. Clarissa" era a verdadeira filha da família Ávila: Clarissa Ávila.
Antes de voltar para a família biológica, ela tinha vivido uma vida miserável. Chegou até mesmo a sofrer abuso do pai adotivo. Por isso, odiava Diana profundamente. Sempre que a via, avançava nela como uma louca, socando-a e espancando-a sem piedade.
Já Diana nunca revidava. Apenas ajoelhava-se no chão, chorando e fingindo ser inocente.
— Maimai, faça o curativo sozinha. Preciso descer. Se eu não for, Clarissa vai virar esta casa de cabeça para baixo. — Assim que ouviu aquilo, Maurício entrou em pânico, largou a gaze e disse.
Dito isso, ele saiu às pressas.
Maitê achou aquilo ridículo.
Clarissa era a verdadeira irmã de Maurício, mas ele não sentia pena do fato de ela ter sido espancada e humilhada desde pequena, nem mesmo do abuso que havia sofrido. No entanto, bastava Diana derramar algumas lágrimas baratas para ele enlouquecer de preocupação.
Lá embaixo, Maurício enfrentou toda a família para proteger Diana atrás de si.
Os gritos desesperados de Clarissa ecoavam até o andar de cima.
— Maurício! Eu sou sua irmã de verdade! Por que você nunca fica do meu lado?! Por que sempre protege essa vadia da Diana?! — Ela chorava como se estivesse se despedaçando. — Você sempre foi assim! Também trata a Maitê dessa forma cruel! Essa falsa sonsa vive armando contra ela, mas você age como se fosse cego! É por isso que a Maitê perdeu completamente as esperanças em você! Você não percebeu que ultimamente ela nem olha mais na sua cara?! É porque ela finalmente enxergou quem você realmente é. Ela não espera mais nada de você!