Capítulo 6
As palavras de Clarissa atingiram Maurício como tapas violentos.

— Cala a boca! O meu relacionamento com a Maimai não é da sua conta! — Ele ficou furioso.

Assim que terminou de falar, pegou Diana nos braços, que estava caída no chão, coberta de sangue por causa da briga, e foi embora sem sequer olhar para trás.

Assim que Maurício saiu, a mãe dele imediatamente chamou os empregados da casa. Todos pegaram paus e objetos nas mãos antes de subir as escadas de maneira ameaçadora.

— Maitê, agora que Maurício foi embora, ninguém vai te proteger. — Os olhos de Janice estavam cheios de ódio. — Você matou o meu neto. Não vou deixar isso barato. A partir de hoje, farei cada dia da sua vida nesta casa parecer um inferno!

Então ela ergueu o queixo para os empregados. Eles avançaram imediatamente e amarraram Maitê à força. Depois a arrastaram escada abaixo.

Janice chutou Maitê para dentro da piscina. Segurando seus cabelos, pressionou sua cabeça violentamente para baixo da água.

— O Biel morreu afogado! Você sabe como é agonizante morrer afogada?! Claro que não sabe! Não tem problema. Hoje eu vou fazer você sentir isso na pele!

A água gelada invadiu os pulmões de Maitê. Parecia que todos os seus órgãos estavam queimando de dor.

Tão frio, tão sufocante...

Será que, quando Biel morreu, ele também sofreu assim? Enquanto se debatia desesperadamente no mar, chegou a chamar pela mãe?

No instante em que Maitê estava prestes a perder a consciência, Janice puxou sua cabeça para fora da água pelos cabelos.

Ela respirou desesperadamente, ofegante. Mas mal conseguiu puxar ar uma vez e sua cabeça foi empurrada para baixo de novo.

— Maitê! Você sabe nadar! Então por que não pulou no mar para salvar o Biel?! — Janice disse, devastada pela dor. — Não tente fingir na minha frente! Eu sei a verdade! Você estava se vingando do Maurício! Você odeia o fato de ele ter mentido para você! Odeia o fato de o coração dele pertencer à Diana! Então matou o único filho dele para se vingar!

Ao ouvir aquilo, Maitê quis rir.

Vejam só, todos conseguiam enxergar quem Maurício realmente amava. Todos. Menos ele próprio, que continuava insistindo na mentira ridícula de que Diana era apenas sua irmã.

Janice parecia determinada a torturá-la. Toda vez que Maitê estava prestes a sufocar, ela puxava sua cabeça para fora da água por um ou dois segundos apenas para deixá-la respirar. Mantendo-a por um fio, entre a vida e a morte. Depois tornava a afundá-la, fazendo-a sofrer um destino pior que a morte.

Após dezenas de repetições, quando Janice pressionou sua cabeça para dentro da água outra vez, a superfície da piscina começou a ficar vermelha.

— Ela está com lesão pulmonar! — Alguém gritou. — Afogamentos repetidos podem ter ferido os pulmões dela! Precisamos levá-la ao hospital agora ou ela vai morrer!

Só então a Janice finalmente parou. No entanto, Maitê já havia perdido completamente a consciência. Quando despertou novamente, percebeu que estava no hospital.

Maurício permanecia sentado ao lado da cama. Havia olheiras profundas sob seus olhos, o cabelo estava desarrumado e, pela primeira vez, o homem sempre imponente parecia cansado e abatido.

Ao vê-la abrir os olhos, os olhos escurecidos dele finalmente ganharam vida outra vez.

— Maimai, você acordou. — Ele segurou a mão dela com força e disse com a voz cheia de culpa. — Me desculpe. Foi culpa minha. Eu não te protegi. Não se preocupe. Já puni os empregados envolvidos. E quanto à minha mãe, eu a adverti severamente. Ela não vai mais dificultar sua vida.

Maitê apenas sentiu o coração gelar. Ela quase morreu, e tudo o que Maurício fez foi "advertir" a própria mãe. Em nenhum momento pensou em revelar a verdade.

Quando se tratava de decepcioná-la, Maurício realmente nunca falhava.

— Tudo bem. — Maitê fechou os olhos, ela já não tinha energia para dizer mais nada.

A frieza dela fez o peito de Maurício apertar dolorosamente. Sem motivo aparente, as palavras de Clarissa voltaram a ecoar em sua mente: "Você não percebeu que, ultimamente, ela nem olha mais na sua cara?! É porque ela finalmente enxergou quem você realmente é. Ela não espera mais nada de você!"

Maurício fechou os punhos com força e uma inquietação sufocante cresceu dentro dele.

Ele segurou a mão de Maitê novamente e falou:

— Maimai, fiquei aqui cuidando de você o dia todo, sem comer nada. Acho que minha gastrite atacou. Está doendo muito. Você pode fazer uma sopa para mim?

Naquele momento, Maitê estava com a perna esquerda engessada, uma agulha de soro presa ao braço e o corpo inteiro coberto de ferimentos. Quase não havia um único lugar intacto em sua pele.

As pupilas de Maurício tremeram e ele imediatamente mudou de tom rapidamente:

— Não, esquece. Você não precisa fazer nada. Só me diga o que fazer e eu preparo. Daqui para frente, podemos mudar nossa dinâmica. Eu vou cuidar de você, tudo bem?

Mas Maitê sequer quis olhar para ele. Virando-se de costas, respondeu friamente:

— Você já tem a receita. Faça sozinho.

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