Capítulo 4
Maitê ergueu lentamente as pálpebras e lançou um olhar indiferente para Maurício.

— Se havia veneno ou não, basta chamar um médico para analisar. — Então ela continuou friamente. — Ou será que você nem se importa com a verdade? Só quer alguém para descontar sua raiva? Se for esse o caso, não precisa dar tantas voltas. Apenas me puna logo. Eu aguento.

Não era a primeira vez que Diana armava algo assim para incriminá-la. Ela já havia se jogado escada abaixo e chorado, dizendo que Maitê a tinha empurrado.

Também já tinha derramado óleo quente propositalmente na própria mão enquanto Maitê cozinhava, mordendo os lábios de forma lamentável enquanto dizia que Maitê não tinha feito de propósito.

Situações assim aconteceram incontáveis vezes.

Antes, Maitê não entendia por que algo tão obviamente forjado passava despercebido aos olhos de Maurício, um homem tão inteligente. Mas agora ela entendia. Não era que ele não percebesse, ele apenas sofria ao ver Diana machucada e precisava de alguém para descarregar a sua raiva. E esse alguém sempre era Maitê.

Agora ela já estava anestesiada, nem sequer tinha vontade de erguer os olhos. E, mais do que isso, já não se entristecia quando Maurício escolhia acreditar nos outros em vez dela.

O peito de Maurício ficou pesado.

— O que quer dizer com "descontar a raiva"? Maimai, se você tem alguma mágoa, pode falar. Não fale comigo desse jeito frio e sarcástico. Eu sou seu marido, não seu inimigo. — Franzindo a testa, ele disse.

— Não tenho mais nada a dizer. — Maitê fechou os olhos novamente.

— O que isso significa? Como assim não tem mais nada a dizer? — O coração de Maurício disparou.

Mas ela não respondeu. Permaneceu de olhos fechados, recusando-se a ouvir ou olhar para ele, como se o tivesse expulsado completamente do próprio mundo.

A inquietação dentro de Maurício cresceu pouco a pouco. Por algum motivo, ele tinha a estranha sensação de que estava prestes a perder Maitê para sempre. E isso o deixou desesperado para fazer algo, qualquer coisa, que a mantivesse ao seu lado.

Depois de um longo silêncio, ele finalmente falou:

— Amanhã será o sétimo dia da morte do Biel. Vou passar a noite velando com você.

O corpo de Maitê enrijeceu visivelmente, mas, mesmo assim, ela não abriu os olhos.

— Sr. Maurício, terminamos a lavagem estomacal da Srta. Diana. Ela já está fora de perigo, mas está muito assustada e continua chamando pelo senhor. — A voz da enfermeira surgiu na porta.

— Já entendi. — A voz de Maurício voltou a ficar fria. Então ele olhou profundamente para Maitê antes de sair. — Maimai, descanse bem. Amanhã voltaremos para casa juntos para nos despedirmos do Biel pela última vez.

Aquela noite pareceu interminável. Maitê praticamente passou a madrugada inteira de olhos abertos.

Depois do sétimo dia, viria o enterro.

O filho que ela tinha carregado por nove meses, o filho que ela tinha trazido ao mundo com tanta dificuldade, logo seria reduzido a cinzas, colocado dentro de uma urna e enterrado sob a terra escura e fria.

Na manhã seguinte, Maurício apareceu pontualmente.

Ele mesmo dirigiu e levou Maitê de volta para a mansão da família Ávila.

Toda a residência estava mergulhada em luto. Os empregados usavam roupas funerárias, e do salão principal vinham sons incessantes de choro.

Alguns choravam de verdade, outros apenas fingiam. Mas ninguém ali sentia mais dor do que Maitê.

Apoiando-se na muleta, ela avançou lentamente em direção ao salão funerário, querendo ver o filho pela última vez. Mas, assim que cruzou a entrada, sua sogra avançou sobre ela como uma louca.

— Sua desgraçada! Ainda teve coragem de voltar?! — Sem aviso, ela deu dois tapas violentos no rosto de Maitê. Depois agarrou seus cabelos e começou a espancá-la, gritando de forma histérica. — Foi tudo culpa sua! Você matou meu neto! Você sabia muito bem que o Biel não sabia nadar, e mesmo assim o levou para surfar! Venenosa! Você queria matar meu neto de propósito!

Maitê congelou.

Quem tinha levado Biel para o mar tinha sido Diana. Então, por que sua sogra estava jogando toda a culpa nela?

Seu instinto imediatamente lhe disse que Maurício estava envolvido nisso.

Ela virou lentamente a cabeça e olhou para ele. E, como esperado, Maurício desviou o olhar, incapaz de encará-la. Ao mesmo tempo, os outros parentes no salão também começaram a avançar sobre ela, ajudando sua sogra, Janice, a insultá-la e agredi-la.

— Matem essa mulher cruel!

— Nem os animais selvagens matam os próprios filhos, mas ela matou o dela!

— Saia daqui! Uma mulher como você não tem direito de participar do funeral do Biel!

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