Capítulo 3
Maitê estava deitada enquanto atendia à ligação. Por isso, ao ouvir o barulho vindo da porta, desligou discretamente o telefone, fechou os olhos e fingiu estar dormindo.

Maurício entrou no quarto irradiando raiva, mas, ao se aproximar, percebeu que Maitê estava de olhos fechados na cama. Então, ela estava apenas falando dormindo.

Maurício soltou um suspiro de alívio, embora ainda sentisse um estranho desconforto no peito. Mesmo em sonhos, ele não permitia que Maitê deixasse de amá-lo. Por isso, ele a acordou.

— Maimai, você teve um pesadelo? Ouvi você chorando e dizendo que não amava mais. O que sonhou? Por que estava chorando desse jeito?

— Não foi nada. Só sonhei com nosso filho. No sonho, ele chorava perguntando por que o pai e a mãe não o amavam. — Maitê baixou os olhos.

O peito de Maurício apertou.

— Maimai, a morte do Biel foi um acidente. A culpa não é sua. Pare de se torturar assim. — Ele a puxou para os braços e disse, em voz abafada. Depois de uma pausa, continuou. — Ainda somos jovens. Teremos outros filhos, muitos filhos.

Maitê não respondeu, seu coração já estava frio. Tão frio que nem lágrimas ela conseguia derramar.

Ela realmente ainda era jovem, ainda poderia engravidar. Mas de que adiantaria? Seu filho estava morto. Será que ter outro faria tudo o que aconteceu simplesmente desaparecer?

— Maurício, você veio me procurar no meio da noite por algum motivo? — A essa altura, Maitê já não tinha forças para discutir com Maurício, então mudou de assunto calmamente.

Ele congelou por um instante, e sua expressão ficou estranhamente desconfortável.

— Maimai, a Diana está com dor no estômago. Ela quer tomar aquela sopa que você faz. —

Maitê ficou imóvel.

Ela tinha acabado de sofrer um acidente de carro. Tinha quebrado uma perna, e Maurício a tinha acordado no meio da noite para pedir que ela cozinhasse para Diana.

Parecendo perceber o absurdo das próprias palavras, ele rapidamente mudou de tom:

— Você não precisa sair da cama. Só me diga a receita. Eu preparo.

Maurício tinha o estômago sensível e frequentemente sofria crises de dor. Por isso, Maitê havia consultado inúmeros livros de medicina tradicional e terapia alimentar, até desenvolver uma receita específica de sopa medicinal. Sempre que o estômago dele doía, ela preparava a sopa para ele. Mas, na verdade, por ter estudado de forma tão exaustiva durante o último ano do ensino médio, Maitê também havia desenvolvido problemas gástricos.

Ainda assim, Maurício não tinha percebido isso. Em cinco anos de casamento, ele nunca cozinhou para ela. Nunca preparou sequer uma sopa.

Só então Maitê percebeu que, desde o início, aquele casamento sempre foi um amor unilateral.

— Traga papel e caneta. Vou anotar a receita para você. — Ela soltou uma risada amarga antes de dizer baixinho.

Maurício imediatamente mandou alguém buscar.

No entanto, quando Maitê terminou de escrever e entregou a folha a ele, seu coração estremeceu. Porque, de repente, lembrou-se do que ela costumava dizer quando ele perguntava sobre a receita.

— Quando nos divorciarmos, eu te conto. Porque, enquanto estivermos casados, eu mesma vou ficar ao seu lado preparando sopa para você pelo resto da vida.

E agora, ela havia entregado a receita com tanta facilidade.

Um aperto sufocou o peito de Maurício. Mas, mesmo assim, ele continuava convencido de que aquele papo de divórcio não passava de uma birra passageira. Afinal, Maitê jamais conseguiria deixá-lo.

— Sr. Maurício, a Srta. Diana está com dores muito fortes no estômago e continua reclamando. Por favor, suba logo. — A voz da enfermeira veio do corredor.

— Ela está sempre fazendo escândalo. Se dói tanto, que tome um analgésico. Parem de me apressar! — Maurício franziu a testa e respondeu irritado.

Mas, apesar das reclamações, logo depois ele subiu correndo para ficar com a Diana.

Ele sempre foi assim. Podia falar duro o quanto quisesse, mas, no fim, sempre ficava ao lado de Diana.

Maitê já estava acostumada e não disse nada. Apenas fechou os olhos para dormir.

Mas, não muito depois de pegar no sono, Maurício a arrancou brutalmente da cama.

— Maitê! Por que a Didi começou a vomitar sangue depois de tomar a sopa que eu fiz?! — Ele apertou o queixo dela com força, e sua voz parecia saída do próprio inferno. — Você colocou veneno naquela receita?!

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