Início / Romance / Senhor CEO, sua esposa gorda virou uma DEUSA! / 5 - Olhe para você, Rubi. Você é ridícula.
5 - Olhe para você, Rubi. Você é ridícula.

RUBI MONTENEGRO

Mais um mês se passou. Três meses de casamento, três meses de solidão.

Eu estava na sala, quando o telefone fixo tocou. Ninguém estava por perto, então atendi.

— Alô?

— Graças a Deus! — Uma voz feminina berrou do outro lado. — O senhor Beckett esqueceu a pasta vermelha! O jantar beneficente já começou e se esses contratos não chegarem em dez minutos, ele me demite!

— O Ares não... — tentei intervir, mas a mulher estava em modo turbo.

— Quem fala? A faxineira? Não importa! Escute, pegue um táxi, um helicóptero ou voe, mas traga essa maldita pasta para o Hotel Grand Palace agora!

A linha ficou muda.

Fui até o escritório proibido e encontrei a tal pasta sobre a mesa.

Essa era a minha chance. Se eu salvasse a noite dele, talvez ele me visse como algo além de uma inútil.

Agarrei a pasta e chamei um táxi.

Quando cheguei ao Grand Palace. Desci do táxi e olhei para mim mesma. Eu vestia minha fiel calça de moletom e um casaco bege que parecia uma barraca de acampamento, ideal para esconder minha figura. Eu era a definição de "mendiga chique", só que sem o chique.

Caminhei até a entrada, mas um segurança que parecia um armário de duas portas cruzou os braços, bloqueando minha passagem.

— A distribuição de sopa é dois quarteirões para baixo, senhora.

— Não... eu sou a esposa de Ares Beckett — gaguejei, sentindo minhas bochechas pegarem fogo. — Trouxe um documento para ele.

O segurança soltou uma risada nasalada, olhando para o teto como se pedisse paciência.

— Esposa do Sr. Beckett? Com certeza. E eu sou a Fada do Dente. Dê o fora.

— É verdade! — Ergui a pasta como se fosse o Simba no topo da pedra. — Olhe o logotipo dourado!

O homem estreitou o olhar para o brasão da Beckett Industries. Relutante, e com uma careta de quem chupou limão, ele baixou o braço.

— Vá rápido antes que eu me arrependa.

Entrei no salão de baile. Eu parecia um pingo de tinta suja numa tela branca. Todos brilhavam em diamantes e smokings.

Avistei Ares perto do bar. E, claro, grudada nele como um carrapato, estava Diana.

Ela usava um vestido dourado muito justo, desenhando cada curva daquele corpo irritantemente magro.

Senti o arrependimento bater, mas caminhei até eles.

— Ares... — chamei, com a voz de um camundongo.

Ares se virou. O sorriso de "homem de negócios encantador" morreu instantaneamente, substituído por uma expressão de horror, como se tivesse visto uma barata na salada.

— Ares, olhe! A empregada veio trazer seus papéis? — Diana levou a mão à boca fingindo surpresa. — Ah, espere... Santo Deus. É a sua esposa! Nossa, Rubi. O que é isso? Você engoliu o resto do buffet antes de vir?

Risadinhas abafadas pipocaram pelo salão. Eu queria evaporar. Estendi a mão com a pasta, esperando que Ares tivesse um pingo de humanidade e me defendesse.

Em vez disso, ele agarrou meu braço com força e me arrastou para um canto escuro.

— O que você tem nessa cabeça oca?! — ele sibilou, os olhos fuzilando ódio e arrancou a pasta da minha mão.

— A... a sua secretária ligou pedindo esse documento... eu só queria ser útil...

Ares checou os papéis e fechou a pasta. Nem um "obrigado". Nada.

— Útil? Você conseguiu virar a atração principal do show de horrores! Olhe para você, Rubi. Você é ridícula.

— Sinto muito...

— Vá embora — ele ordenou, apontando para uma porta de serviço com nojo. — Saia pelos fundos, junto com o lixo. É onde você se camufla melhor.

Ares voltou para o salão, onde Diana o esperava com um sorriso de gata que comeu o canário, e a envolveu pela cintura.

Segurei o choro até cruzar a porta. Saí em um beco úmido, cercada por latas de lixo e caixas de papelão. O cenário combinava perfeitamente com meu estado de espírito.

Parei em frente ao vidro escuro de uma janela. Vi meu reflexo. Vi a mulher gorda, com roupas que caberiam duas de mim, cara de choro e postura de derrotada.

Peguei meu celular. Abri o aplicativo do banco. O saldo da conta brilhava na tela com muitos zeros. O "cala a boca" mensal que Ares me pagava.

Sequei as lágrimas com a manga do casaco e a tristeza começou a dar lugar a determinação.

Você quer que eu desapareça, Ares? Tudo bem. O show acabou.

Olhei para a "Rubi Gordinha" no vidro uma última vez.

— Considere a antiga Rubi morta e enterrada.

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