Mundo de ficçãoIniciar sessãoCapítulo 7
Ponto de vista de Patricia Eis a vida de jet-set de Patricia, ser a cerimonialista de bailes debutantes,eventos de inauguração, sem dormir direito, trocando de roupa no local, sem banho ou uma refeição decente. Era gerente geral do Toranda e constantemente designada para substituir Laura ou Odete, não era, na maioria das vezes, complicado, mas neste evento foi estressante chegar no dia seguinte e nada ter sido adiantado, nem pela equipe de Odete! As três assistentes de Odete conhecem a rotina de organização, e quando troquei o local do painel, Cintia logo veio me barrar: — Ei, ei, ei! Patricia, não é esse o lugar do painel! — Eu sei, foi decidido pela debutante de última hora, Cintia. — Como assim?! Essa menina não pode trocar o nosso cronograma sem avisar! — Recebi um e-mail de Odete solicitando a troca a pedido da debutante. — Como?!Eu não recebi! — Me olhou com o desdém costumaz, uma cortesia da equipe de Odete. Elas se formaram no exterior e se comportam como se isso fosse o passaporte para serem hostis com quem estudou no país. Caroline já declarou em reuniões que meu cargo é "desnecessário", "gerente geral" é cargo para administrador e não cerimonialista. Eu concordo. Logo que começamos o Toranda, eu não fazia essa função de organizar festas, mas eu sou ótima nisso. Floristas, seguranças, garçons, cozinheiros, convidados... Todos são muito receptivos à minha organização, nunca, eu tive discussão com algum cliente. Ou qualquer pessoa. Só tenho atritos com as três dondocas que se comportam como se tudo ficasse pronto num passe de mágica. Já alertei Odete, mas com ela, as três atuam com outro prisma. Gerencio uma equipe de dez funcionários, seis com cargos administrativos e quatro que me acompanham aos eventos. Nesse evento, estou usando a equipe de Odete, mas quando cubro os eventos de Laura, utilizo a equipe dela. Meus eventos ainda estão sendo acompanhados por mim, mas minhas cerimonialistas estão perfeitamente alinhadas com meu estilo de organização, então elas acabam tendo um check list com mais autonomia. Então, tenho diariamente contato com vinte ou trinta pessoas do Toranda, e cinquenta ou mais dos eventos, incluindo motoristas, montadores, dj's, buffets, floristas.... Um batalhão de pessoas para fazer outras centenas de pessoas felizes. Eu encarei Cintia, que segurava firme o braço de Valmir, o montador, ainda tentando suplantar minha autoridade. - Solte o braço dele, agora. Não me interessa se você não recebeu o e-mail de Odete, eu recebi e isso basta. - Não, Patricia, você não entendeu... - Escute bem, Cintia. Odete me deu total controle nos eventos da agenda dela, incluindo este. Se você continuar questionando minhas escolhas e alterações, eu ordeno que você pegue o avião e retorne para a empresa. Ela congelou de cenho franzido, me encarando, os montadores escondiam sorrisos e eu ergui a sombrancelha empurrando o braço dela. Como ela continuou me olhando, eu direcionei um aceno para eles, que colocaram no lugar que a debutante queria e após alguns minutos parada igual a um poste, Cintia saiu pisando duro. Foi a única modificação na equipe. Cintia voou para São Paulo. Consegui adiantar todos os contatos com Geiza, minha assistente que estava em São Paulo, e trabalhei em uma harmonia relativa com as outras cerimonialistas de Odete. Eram onze e trinta da noite e finalmente pude descansar. Tomei um banho e liguei o celular, visualizei mensagens diversas de w******p e SMS, áudio dos proprietários do Lauvier em Porto Alegre,da florista, que atualizei sobre os depósitos dela,de Salete, a gerente de RH, comunicando a chegada de Cintia. Identifiquei um número desconhecido e liguei, devia ser da família da debutante, Ananda.






