400. Corda para se enforcar
Lucas Park
Vamos pular a parte chata e ir direto ao ponto, porque não faz mais sentido fingir que ainda existe alguma nobreza em mim. Eu sou um homem fodido. Ponto final. Não adianta rodear essa verdade como se ela pudesse mudar de forma se dita com mais cuidado. Não pode. Então vamos admitir logo a merda de ser humano que sou e, a partir disso, tentar salvar qualquer coisa que ainda reste da minha alma — se é que sobrou alguma coisa digna desse nome.
Já fiz coisas ruins demais. Para os outros, para mim mesmo, para pessoas que não mereciam carregar o peso das minhas escolhas. Tantas que eu nem saberia por onde começar. E talvez esse seja exatamente o problema. Mas não vamos chover no molhado. De nada adianta listar pecados quando o arrependimento, por si só, nunca salvou ninguém. Se bastasse se arrepender, o inferno seria apenas uma colônia de férias. E, senhoras e senhores, é exatamente para lá que marchei durante toda a porra da minha existência, passo após passo, consciente ou não