Gabrielle Goldman
Eu o odiei naquele segundo, por me respeitar mesmo agora, quando tudo o que eu mais queria era que ele ignorasse qualquer traço de humanidade em mim. Eu queria que ele me prendesse, me empurrasse contra a árvore mais próxima, que gritasse, que me ferisse. Que revidasse. Eu queria que ele fosse cruel, insensível, bruto. Tornaria tudo mais fácil.
— Por que está dizendo isso? — sua voz veio baixa, como se tivesse medo de me quebrar ainda mais. Um sussurro que perfurava com mais força do que um grito. — Foi alguma coisa que eu fiz? Ou algo que eu disse?
Como ele ousava? Como podia fingir que não entendia? Por que eu estava dizendo aquilo? Que pergunta estúpida. Só podia estar de sacanagem.
Ele me disse, com todas as letras, que sabia que eu o estava usando. Q