O primeiro movimento jurídico não veio como ataque.
Veio como convite.
Uma notificação discreta, redigida em linguagem técnica, chegou à mansão Valmont numa manhã aparentemente comum. Não havia acusação formal, nem intimação direta. Apenas um pedido de “esclarecimentos preliminares”, solicitado por um comitê independente ligado ao Ministério Público.
Independente demais para ser neutro.
Preliminar demais para ser inofensivo.
Adrian leu o documento duas vezes antes de colocá-lo sobre a mesa.
— Eles querem medir terreno — disse.
Luna permaneceu em silêncio, observando.
— Medir o quê? — ela perguntou, por fim.
— Se recuamos — Adrian respondeu. — Ou se vamos sustentar isso até o fim.
Ela assentiu lentamente.
— Esse tipo de convite só existe quando alguém teme o que pode surgir depois.
O advogado de Adrian, Henrique Moura, chegou naquela mesma tarde.
Não trazia pastas volumosas.
Nem discursos tranquilizadores.
Trazia perguntas.
— Precisamos decidir agora qual será a postura — disse, sent