Naquela semana, ninguém dormiu direito na mansão Valmont.
Não por barulho.
Mas porque o silêncio havia mudado de função.
Ele não protegia mais — observava.
Luna percebeu isso logo no primeiro dia após a entrevista de Isabella. A casa permanecia organizada, limpa, funcional. Mas havia uma sensação constante de espera, como se algo estivesse prestes a atravessar a porta sem avisar.
Ela passou a reparar em coisas pequenas.
No porteiro eletrônico sendo testado duas vezes por dia.
No carro escuro estacionado do outro lado da rua por tempo demais.
Na mudança de tom dos funcionários quando falavam ao telefone.
Nada explícito.
Nada comprovável.
Tudo suficiente.
Adrian também sentia.
Mas reagia diferente.
Trabalhava mais horas no escritório improvisado da biblioteca, cercado de pastas, contratos antigos, relatórios que jamais imaginara precisar reler. Não para se defender — mas para entender onde exatamente o controle havia escapado de suas mãos.
— Não foi só uma decisão — ele disse pa