O delegado Moura deixou a mansão no início da noite, mas a presença dele continuou pairando no ar como um sinal de que nada seria mais “particular” naquela casa. Havia perguntas demais sem resposta, pistas demais surgindo ao mesmo tempo, e, principalmente, gente demais com medo de que a verdade transbordasse.
Adrian acompanhou o delegado até a porta e, quando voltou, Luna ainda estava na sala de estar, sentada no sofá com Elias dormindo com a cabeça no colo dela. O menino só adormecera depois de quase uma hora de tremores e soluços silenciosos. Agora, finalmente respirava com regularidade, como se a presença dela fosse a única âncora que conseguiam segurar.
Adrian parou diante da cena.
E ficou ali por vários segundos, sem dizer nada.
Aquele homem — sempre tão frio, contido, acostumado a atravessar o mundo como um temporal — parecia menor naquele instante. Não em força, mas em vulnerabilidade. Como se ver o filho dormir no colo de outra pessoa o fizesse perceber com brutalidade o quant