Liam bateu de novo, mais forte, o som ecoando pela porta e pelo corredor silencioso.
Silêncio absoluto.
Nenhuma resposta.
— Claro. — murmurou, frio como gelo. — Eu mereço.
Ele deu as costas sem hesitar, e seguiu para a sala. No canto, o piano esperava.
Liam sentou-se, encostou os dedos nas teclas e começou a tocar notas profundas, intensas. Era a única maneira de respirar sem desmoronar.
Olívia desligou o chuveiro, enrolou-se na toalha e saiu do banheiro ainda enxugando o rosto. No closet, passou as mãos pelos blusões dele, cheirou um, fechando os olhos.
— Eu amo seu cheiro… — confessou num sussurro, amarga. — E me odeio por estar dizendo isso.
Quando ouviu a música vindo do outro cômodo, murmurou.
— Nossa… o vizinho toca muito bem…
Depois de uns minutinhos, foi andando até a sala, vestindo um dos blusões brancos dele, mangas compridas demais, cabelos ainda úmidos. Carregava uma caixinha de primeiros socorros entre as mãos.
Parou na porta.
— Eu não sabia que você tocava piano… — disse