Lorena Azevedo
O relógio digital no criado-mudo marcava exatamente três horas da madrugada. O quarto estava imerso em uma penumbra densa, cortada apenas pelo reflexo pálido das luzes da fazenda que passava pelos vãos da cortina de linho. Na cama, a respiração de Rafael era um som rítmico, pesado e reconfortante. Ele dormia com um dos braços robustos estendido para o meu lado, o lugar onde eu deveria estar deitada, como se mesmo inconsciente ele tentasse tatear o espaço para garantir que eu con