Capítulo 30
Ambrose Miller
Eu não devia ter voltado.
Depois dessa noite, eu devia ter colocado uma barreira de ferro entre mim e Elisa, fingir que nada tinha acontecido dentro daquele carro apertado, abafado, onde por alguns minutos perdi a noção de quem eu era e do que eu representava. Mas eu não consegui. A lembrança do corpo dela, do jeito como me olhou antes de se render, me perseguiu como um fantasma.
E agora, lá estava eu, parado diante da porta da casa dela, com o coração batendo forte demais para um homem que jurou já ter visto de tudo. Ex-fuzileiro, acostumado com guerra, com dor, com ordens que não podiam ser questionadas. E, ainda assim, bastava pensar nela para eu perder o controle.
Respirei fundo, cerrei os punhos e bati. Uma, duas vezes. A porta se abriu devagar, revelando Elisa.
Ela estava simples, de calça jeans e uma blusa branca, os cabelos soltos caindo sobre os ombros. Mas não precisava de nada além disso para me desestabilizar. O olhar dela me prendeu antes que eu