Capítulo 27
Elisa Martínez
Se tem algo que não sou é uma mulher de esperar. O que quero, eu tenho. Fui criada assim desde pequena. E, desde que bati os olhos em Ambrose, ainda saindo daquele elevador, eu soube que o queria.
Já tentei algumas investidas, e não sou burra: vi o olhar dele, aquele desejo contido que ele tentava esconder sob a máscara de profissionalismo. Ambrose é rígido, quase de ferro. Mas hoje… hoje ele não me escapa.
As garotas já estavam se ajeitando para dormir, e eu vi a oportunidade. Peguei um cobertor e saí. Ele estava de pé, do lado de fora do carro, observando a fonte iluminada.
— Ela é linda, não é? — perguntei.
Ele não se moveu, apenas respondeu com a calma habitual:
— Sim, muito bonita.
— Foi minha mãe quem fez. Ela é escultora.
— Mas é o seu rosto na sereia, não é?
Sorri de canto.
— Sim. Poucos percebem. Você é detalhista, Ambrose.
Ele se virou devagar. Os olhos pousaram em mim, demorando no meu pijama colado. Um arrepio me percorreu.
— Sou… mas o seu rosto