Eu e Ivy Rivers estávamos casados há três anos, mas ainda não havíamos registrado oficialmente o casamento.
Hoje marcava o milésimo voo bem-sucedido dela. Também era a 17ª vez que ela prometia finalmente ir comigo ao cartório para registrar nosso casamento.
Mas, no banquete de comemoração, enquanto o supervisor direto dela me forçava a beber, ela estava ocupada trocando pratos e brindando com seu piloto aprendiz.
Mesmo eu estando com febre alta e bebendo até quase desmaiar, ela nem sequer olhou na minha direção. Vários colegas balançavam a cabeça e estalavam a língua, olhando para mim com pena.
Qualquer um conseguia ver por quem eu estava passando por tudo aquilo o desconforto físico, a bebida.
Ainda assim, depois que o banquete terminou, Ivy, que deveria ir comigo ao cartório, me deu bolo mais uma vez.
Ela parou o carro na entrada do restaurante e me impediu de entrar com uma das mãos.
— O Owen bebeu um pouco demais por minha causa agora há pouco, então vou levá-lo para casa. Você pode pegar um táxi. Provavelmente não vamos conseguir chegar ao cartório esta tarde. A gente resolve isso outro dia, tudo bem?
Depois de dizer isso, ela nem se importou com a minha reação. Saiu apressada do carro e ajudou Owen Gardner a se sentar no banco do passageiro com todo cuidado.
Estávamos juntos há oito anos, casados há três. Aquela já era a 17ª vez que Ivy adiava o registro do nosso casamento por causa do Owen.
Normalmente, em momentos assim, eu teria perdido o controle gritando, discutindo com ela, exigindo respostas. Afinal, quem era o marido dela? Quem tinha acabado de beber por ela?
Mas, dessa vez, eu apenas sorri levemente.
— Tudo bem. Dirija com cuidado.
Ivy hesitou por um instante ao ouvir minhas palavras, aparentemente surpresa com minha calma. Depois de um momento, voltou à sua expressão fria.
— Eu compro um presente pra compensar quando voltar hoje à noite.
Então ela foi embora. Antes de sair, ainda fez questão de fechar a janela do carro para o Owen, com medo de que ele pegasse frio por causa do vento.
No passado, ela nunca permitia que o cheiro de álcool ficasse no carro. Toda vez que eu bebia por ela, ela abria a capota até mesmo no inverno, imagina então fechar as janelas.
Agora, olhando para trás, percebo que era só porque quem estava no carro era eu.
O calor do meio-dia em Orlion fazia qualquer um suar, mas meu coração estava estranhamente gelado.
Respirei fundo e guardei os formulários de registro de casamento na minha bolsa.
Eu sabia que era hora de deixar para trás não apenas aquele papel… mas também esse relacionamento de oito anos.