Capítulo 8
O vento uivava com força. Nanda, vestida com um vestido branco, estava à beira do penhasco, sentindo que podia cair a qualquer instante. A brisa do mar levantava a barra do seu vestido, fazendo ela parecer frágil como papel.

— Nanda! — Os três irmãos mais velhos gritaram, aflitos. — Volte depressa.

Nanda virou a cabeça, com o rosto coberto de lágrimas:

— Irmãos, Marcelo, eu não consigo me separar de vocês, mas Larissa não gosta de mim, de qualquer forma, eu já estava prestes a morrer. É melhor acabar com tudo de uma vez, assim eu também não vou mais ficar no caminho de Larissa.

Os quatro homens imediatamente se viraram e lançaram olhares furiosos para Larissa.

— Larissa! — Marcelo a empurrou bruscamente para a frente. — Fale! Convença ela a voltar!

Larissa observava silenciosamente aquela farsa, sem dizer uma palavra.

— Você só vai ficar satisfeita até obrigá-la a morrer? — Sandro rugiu.

Vendo que ela permanecia calada, Nanda chorou de forma ainda mais desesperada. De repente, se virou e saltou em direção ao penhasco com absoluta determinação.

— Nanda!

Os quatro homens se lançaram ao mesmo tempo para a frente e, no momento crucial, conseguiram agarrar seu pulso.

Depois de puxá-la de volta, Nanda se jogou nos braços deles, chorando de maneira profundamente dolorosa.

— Está tudo bem, está tudo bem. — Marcelo apertou Nanda com força nos braços, com uma voz surpreendentemente suave. — Nós estamos aqui.

— Não tenha medo. — Os três irmãos lhe davam leves tapinhas nas costas. — Nós não vamos deixar que nada aconteça com você.

Nanda soluçava nos braços de Marcelo. Pouco depois, de repente, voltou a se debater:

— Não, me soltem! Me deixem morrer! Larissa, ela simplesmente não gosta de mim.

Enquanto falava, tentou correr outra vez em direção à borda do penhasco, e os quatro homens trataram de impedi-la às pressas.

— Chega! — Douglas virou a cabeça e fitou Larissa com fúria, os olhos cheios de ira. — Veja a que ponto você a levou!

Emerson abraçou com pesar os ombros trêmulos de Nanda, falando com suavidade:

— Não tenha medo. Enquanto estivermos aqui, ninguém vai expulsar você.

Larissa observava aquela cena em silêncio, e o canto dos seus lábios se curvou em um sorriso frio.

Ela conhecia Nanda bem demais. Todas as vezes era assim: usava o suicídio para arrancar compaixão, e eles sempre caíam no mesmo truque.

— Alguém aí, pendure a senhorita Larissa no penhasco para que reflita sobre o que fez! — Sandro ordenou friamente. — Façam com que ela pense bem no que fez.

Nanda, em um ângulo que ninguém podia ver, mostrou a Larissa um sorriso vitorioso.

Aquele olhar era descarado e evidente, como dizendo: "Larissa, você nunca vai conseguir me vencer."

Os seguranças se aproximaram imediatamente e amarraram Larissa com uma corda de cânhamo áspera, suspendendo seu corpo à beira do penhasco. A corda afundou profundamente na sua carne, mas ela não franziu sequer as sobrancelhas.

Ao sair, Marcelo se voltou e lhe lançou um olhar. A calma incomum nos olhos de Larissa fez seu coração estremecer por um instante, mas, naquele momento, Nanda "desmaiou" oportunamente. Ele imediatamente a tomou nos braços, em pânico, e foi embora sem olhar para trás.

No penhasco, só restou Larissa.

O vento do mar uivava, e a corda balançava ao sabor do vento, roçando nos seus pulsos já ensanguentados e dilacerados. O celular vibrava no seu bolso, mas ela estava amarrada com tanta força que simplesmente não conseguia verificar.

Ela começou a torcer os pulsos com toda a força, fazendo a corda afrouxar aos poucos. O sangue escorria pela corda, mas era como se ela não sentisse dor alguma.

Finalmente, quando a corda afrouxou até certo ponto, ela deu um giro brusco, agarrou com toda a força uma rocha saliente na borda do penhasco e começou a subir pouco a pouco.

Quando finalmente conseguiu subir, suas duas mãos já estavam completamente dilaceradas e ensanguentadas.

Tremendo, ela tirou o celular do bolso. Na tela, havia uma mensagem:

[Sra. Larissa, a transferência da sua ilha já foi concluída. A senhora pode se mudar a qualquer momento.]

Ao olhar para a corda balançando ao vento na beira do penhasco, Larissa de repente sorriu.

Já que ia partir, era melhor deixá-los acreditar que ela estava morta.

Ela não ia conseguir vencer Nanda, mas havia uma coisa em que Nanda não tinha pensado.

Os vivos jamais conseguiriam vencer os mortos!

Pensando nisso, ela pendurou o próprio casaco no galho de uma árvore à beira do penhasco e depois cortou a corda, jogando ela no abismo. O casaco flutuava ao vento, parecendo o último vestígio de alguém que tinha despencado do penhasco.

— Adeus. — Ela falou em voz baixa, mas não se despedia de ninguém, se despedia daquela versão passada de si mesma, que os amava tolamente.

Larissa parou um táxi e foi embora sem olhar para trás.

Desta vez, ela deixaria todo o seu amor para si mesma.
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