Capítulo 7
Quando Larissa abriu os olhos, percebeu que estava deitada em um hospital. O cheiro de desinfetante invadiu seu nariz, e o monitor cardíaco emitia um "bip, bip" constante.

— Você acordou? — A enfermeira entrou, empurrando a porta. — Seus ferimentos foram graves, três das suas costelas quebraram, e você precisa dos cuidados da família. Ligue para eles.

A enfermeira lhe entregou o celular, e Larissa o recebeu com as mãos trêmulas.

Na tela, havia dezenas de mensagens não lidas, todas enviadas por Nanda:

[A maçã que Marcelo descascou para mim com as próprias mãos, estava tão doce.]

[Sandro comprou um vestido novo para mim. Ele disse que eu fico mais bonita de branco.]

[Emerson e Douglas passaram o dia inteiro comigo fazendo exames. Eles ficaram tão preocupados comigo.]

[Já se passaram dois dias. Basta eu dizer que estou tonta, e todos eles correm para ficar ao meu redor. Ninguém perguntou para onde você foi. Ladrão sempre será ladrão, o amor roubado, mais cedo ou mais tarde, sempre acaba sendo devolvido. Larissa, você é tão miserável, não existe uma única pessoa que ame você de verdade. Se eu fosse você, já teria ido morrer há muito tempo.]

Larissa ficou olhando em silêncio, enquanto seus dedos se fechavam involuntariamente, até as articulações embranquecerem.

— Eu não tenho família. — Ela devolveu o celular à enfermeira, com uma voz leve. — Só tenho a mim mesma.

A enfermeira pareceu querer dizer algo, mas, no fim, apenas suspirou e saiu.

Do lado de fora da janela, as folhas caídas cobriam o chão. Larissa contava as gotas do medicamento que desciam pelo tubo da infusão, uma, duas, era como contar todas as vezes em que sua sinceridade havia sido traída ao longo daqueles anos.

Cinco dias depois, ela mesma providenciou a própria alta hospitalar.

Quando empurrou a porta da mansão, o som de risadas veio ao seu encontro.

Na sala de estar, Marcelo estava descascando uma tangerina para Nanda, e os três irmãos estavam ao redor dela, conversando. Ao vê-la entrar, as risadas cessaram de repente.

— Onde você estava? — Sandro franziu a testa. — Por que não voltou para casa?

Larissa subiu as escadas em linha reta, e, atrás de si, ouviu o deboche de Douglas:

— Está fazendo birra de novo.

No instante em que a porta do quarto se fechou, ela enfim desabou, se sentando no chão.

O ferimento na região das costelas latejava de dor, mas, ainda assim, não se comparava à sensação de ter o coração destroçado.

O jantar foi trazido pela criada, mas ela não tocou em nada.

No meio da noite, o celular voltou a se acender:

[Sua vadia! Vou fazer você entender com quem eles se importam mais!]

Larissa desligou o celular na mesma hora e o jogou dentro da gaveta.

Na manhã seguinte, bem cedo, a porta do quarto foi escancarada com um chute violento.

— Larissa! — Marcelo a arrancou da cama com brutalidade. — Para onde Nanda foi?

Antes que ela pudesse reagir, Emerson já havia agarrado a gola da roupa dela:

— Ela deixou um bilhete dizendo: "Já que minha irmã não gosta de mim, então eu vou embora." O que exatamente você disse a ela? Foi você que a forçou a ir embora?

— Eu não sei. — A voz de Larissa estava rouca.

— Chegou a esse ponto, e você ainda está mentindo! — Douglas, tomado pela fúria, golpeou a penteadeira. — Você sabe ou não que ela tem uma doença terminal? Se alguma coisa acontecer com ela, eu não vou poupar você!

— Eu não estou mentindo, eu realmente não sei.

No auge do impasse, o assistente correu até eles, às pressas:

— Encontramos a senhorita Nanda! Ela está à beira do penhasco!

Ao ouvir isso, o rosto dos quatro homens se fechou instantaneamente, sombrio de imediato.

— Larissa! — Sandro apertou o pescoço dela com uma das mãos, com tanta força que ela quase sufocou. — Em que momento você se tornou tão cruel? Nanda está com uma doença terminal, já não tem muitos dias de vida, e, ainda assim, você se recusa a deixá-la em paz!

Larissa foi obrigada a erguer a cabeça, respirando com dificuldade, mas, ainda assim, esboçou um sorriso amargo.

Ela achou tudo aquilo ridículo.

Sem sequer entrar no mérito dessa doença terminal de Nanda ser verdadeira ou falsa, naqueles dias eles haviam reunido para ela a equipe médica mais renomada do mundo e providenciado os medicamentos especiais mais caros, mesmo que realmente fosse uma doença terminal, ela já deveria ter sido curada.

Ela sabia que aquilo não passava de uma desculpa de Nanda.

Apenas uma desculpa para eles perdoarem ela, com a consciência tranquila, o fato de Nanda ter fugido do casamento naquele ano.

Ao vê-la permanecer em silêncio, os quatro homens ficaram ainda mais furiosos.

— Levem-na para o carro! — Marcelo ordenou friamente. — Hoje, custe o que custar, ela vai ter de convencer Nanda a voltar!

Larissa foi empurrada para dentro do carro com brutalidade, e eles seguiram em disparada até a beira do penhasco.
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