Capítulo 6
Naquele exato momento, uma rajada violenta de vento levantou de repente ondas enormes, e o cruzeiro balançou com força, a voz dela foi engolida pelo som das ondas e pelos gritos ao redor.

Marcelo franziu a testa:

— O que foi que você disse agora? O vento e as ondas estão fortes demais.

Ela estava prestes a abrir a boca, mas Nanda falou de maneira manhosa:

— Lá fora está perigoso demais, estou com tanto medo, vamos voltar logo para a cabine.

Todos correram para protegê-la e saíram um após o outro, enquanto Larissa caminhou por último.

Ela virou a cabeça e lançou um olhar para os golfinhos que se afastavam aos poucos, e de repente sorriu.

Talvez aquilo fosse obra do destino.

Eles jamais iam saber que o desejo que ela havia feito era o de nunca mais se encontrarem.

Assim como nunca haviam valorizado a sinceridade dela, também jamais saberiam que ela estava prestes a desaparecer para sempre do mundo deles.

***

No dia em que Nanda recebeu o convite para o baile das socialites, os quatro homens estavam todos muito ocupados.

— Sandro, Emerson e Douglas vão pegar um avião para Paris para arrematar aquele diamante rosa para mim. — Nanda balançou o convite e disse com uma doçura enjoativa. — Marcelo tem um contrato de cem bilhões para assinar na empresa. Larissa, você vai comigo, está bem?

Ela piscou os olhos, com uma expressão cheia de pena:

— Já faz cinco anos que eu não participo de uma ocasião dessas, estou com medo de passar vergonha.

— Eu não vou. — Larissa recusou de forma direta.

Mas os quatro homens simplesmente não lhe deram a chance de recusar.

— Nanda não está bem de saúde, você vai acompanhá-la. — Sandro ordenou, com o rosto frio.

— Você é a que mais conhece esse tipo de ocasião. — Emerson empurrou os óculos com a mão. — Não deixe Nanda passar vergonha.

Douglas a empurrou direto para dentro do carro:

— Cuide bem de Nanda e não cause problemas.

A porta do carro se fechou com um estrondo, e Larissa olhou pela janela para a expressão preocupada dos quatro homens, aquilo lhe pareceu ridículo.

Eles se preocupavam apenas se Nanda sofreria algum mal, mas não se importavam em saber se ela estava disposta a ir ou não.

***

No baile, Nanda vestia um vestido vermelho, deslumbrante e chamativo.

— Venha, beba por mim. — Ela enfiou a taça de champanhe na mão de Larissa e sorriu com doçura. — Afinal, se eu voltar completamente bêbada, o que você acha que eles vão fazer?

Larissa apertou a taça com força, e as pontas dos dedos ficaram brancas.

Ela sabia que Nanda fazia aquilo de propósito, mas não tinha escolha. Se algo acontecia com Nanda, aqueles quatro homens não iam deixá-la em paz.

Taça após taça, a visão de Larissa começou a ficar embaçada.

— Ah, você ficou bêbada? — Nanda fingiu surpresa. — Vou te levar para descansar.

Ela tentou afastar Nanda, mas não conseguiu vencer a força dela.

Foi levada para fora do salão do baile, meio arrastada, meio puxada, atravessou um longo corredor e, por fim, foi empurrada para dentro de um quarto de hotel desconhecido.

— Aproveite bastante. — Nanda riu baixinho junto ao ouvido dela e em seguida fechou a porta.

Larissa caiu sentada no chão e viu, de forma turva, um homem desconhecido caminhar em sua direção. O homem afrouxou a gravata, com um sorriso repulsivo no rosto.

— Foi a senhorita Nanda quem pagou caro para eu servir você. — O homem estendeu a mão para puxar o vestido dela. — Como eu esperava, você é mesmo uma beleza.

Larissa se debateu desesperadamente, mas o corpo entorpecido pelo álcool não conseguia reunir força alguma. A mão do homem prendia seu pulso com firmeza, como uma garra de ferro, e sua respiração ardente roçava o pescoço dela, provocando náusea.

No instante em que o homem se lançou sobre ela, a voz surpresa e alegre de Nanda veio do lado de fora da porta:

— Marcelo? Como você veio parar aqui? Você não tinha dito que precisava resolver um contrato importante?

— Eu estava preocupado com você. — A voz de Marcelo fria e nobre como sempre atravessou a porta. — Vim buscá-la para levá-la de volta.

Depois de uma pausa, ele tornou a perguntar:

— Onde está Larissa?

— Ela está no banheiro. — Nanda respondeu sem deixar a menor brecha.

Larissa reuniu toda a força do corpo e se chocou contra a porta:

— Marcelo! Me salve!

Do lado de fora, se fez silêncio por um segundo.

— Você tem certeza de que ela está no banheiro? — A voz de Marcelo ficou alguns graus mais fria.

— Claro. — Nanda disse com ar magoado. — Se você não acredita, podemos ir procurá-la no banheiro agora mesmo. Embora já esteja quase na hora de eu tomar o remédio, mas não tem problema, eu posso esperar.

O coração de Larissa afundou.

Ela sabia que Marcelo certamente ia escolher primeiro levá-la de volta para tomar o remédio.

Como em inúmeras vezes no passado.

Depois de um silêncio sufocante, a voz de Marcelo finalmente voltou a soar:

— Não precisa, vou levá-la de volta primeiro para tomar o remédio.

Os passos foram se afastando aos poucos, e o coração de Larissa pareceu ser brutalmente arrancado em pedaços, a dor era tão intensa que ela quase sufocou.

Dentro do quarto, a mão do homem desconhecido já havia rasgado a gola de sua roupa.

Em meio ao desespero, Larissa apalpou o cinzeiro de cristal sobre a cabeceira e, com toda a força que ainda lhe restava, golpeou a cabeça do homem.

Soou um baque seco!

O homem soltou um grunhido abafado e caiu no chão.

Larissa se levantou cambaleando e saiu correndo do quarto aos tropeços.

O corredor estava deserto. Ela correu desesperadamente para fora. Já não sabia onde tinham ido parar os sapatos de salto, descalça, pisava no chão gelado, mas não sentia dor alguma.

Na noite chuvosa, ela correu para a estrada, de repente, faróis ofuscantes iluminaram tudo.

Com um estrondo violento, o corpo de Larissa foi lançado para longe e caiu pesadamente no asfalto, vários metros adiante.

— Marcelo, acho que atropelamos alguém! — A voz apavorada de Nanda veio de dentro do carro. — Será que devemos descer para ver?

A chuva embaçava a visão. Marcelo franziu a testa e lançou um olhar:

— Não tem problema, vou pedir ao meu assistente que resolva isso. — Sem a menor hesitação, ele pressionou o acelerador. — O importante é você tomar o remédio.

O carro arrancou em alta velocidade, e a água barrenta levantada pelas rodas, misturada ao sangue, espirrou no rosto pálido de Larissa.

Ela jazia em uma poça de sangue, enquanto a chuva lavava as marcas vermelhas e as levava para o bueiro à beira da estrada.
Sigue leyendo este libro gratis
Escanea el código para descargar la APP
Explora y lee buenas novelas sin costo
Miles de novelas gratis en BueNovela. ¡Descarga y lee en cualquier momento!
Lee libros gratis en la app
Escanea el código para leer en la APP