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O Café Nero era velho no sentido literal da palavra. As paredes tinham aquela cor indefinível de lugares que viram décadas demais, o piso de madeira rangia em padrões que eu já conhecia de cor depois de anos passando por ali, e o dono — Sr. Albrecht, setenta e poucos anos, com bigode que parecia ter vida própria — nunca perguntava o nome de ninguém, mas lembrava o pedido de todo mundo.
Dorian já estava lá quando cheguei.
Tinha escolhido a mesa do fundo, de costas para a parede, de frente par