Dois anos e meio antes — Hospital Penitenciário de Florianópolis.
A luz do hospital era branca demais. Fria demais. Quase agressiva. Murilo abriu os olhos com dificuldade, como se a pálpebra tivesse o peso do mundo. A dor vinha antes da memória — uma fisgada no peito, depois uma ardência no ombro, e então o silêncio espesso da sala estéril. Ele não sabia se estava vivo ou apenas sonhando em estar.
Só depois, entre respirações curtas e tosses doloridas, lembrou-se do som do dispar