A culpa não chegou como um choque. Ela se instalou devagar, quase educada, como tudo que machuca de verdade. Helena sentiu isso ao acordar naquela manhã, quando a lembrança do beijo veio antes mesmo do som do despertador. Não houve arrependimento imediato — apenas uma inquietação surda, insistente.
Helena se levantou mais cedo que o habitual. Precisava de silêncio antes que a casa despertasse, antes que o mundo exigisse dela respostas que ainda não tinha. Na cozinha, preparou o café com movimentos automáticos, como se a rotina pudesse protegê-la das perguntas que ecoavam por dentro.
Arthur também acordou cedo, não por hábito, mas pelo mesmo peso invisível que apertava o peito de Helena. Ele passou a noite revivendo cada segundo anterior, não com ansiedade, mas com um senso profundo de responsabilidade. O beijo não foi um erro — mas despertou algo que ele não podia mais fingir que não existia, e isso vinha acompanhado de culpa. Não por Helena. Por Sofia.
Ele a observou dormir por algun