Raphael
A manhã em Palermo tinha aquele tipo de silêncio que antecede uma tempestade. As janelas da villa deixavam entrar um raio tímido de sol, filtrado pela cortina de linho grosso que minha mãe havia escolhido anos atrás. O aroma persistente de limão ainda pairava no ar, mas agora parecia misturado a algo agridoce – talvez o gosto recente da desconfiança.
Dante estava no Rio de Janeiro.
E não me disse nada.
— Foi decisão dele, Raphael — disse meu papá, apoiado na bengala, com o corpo inclin